Pesquisar
Close this search box.
ELEIÇÃO EM PORTUGAL

O embate entre a esquerda x extrema direita

Publicidade

Passados 40 anos, Portugal voltará a ter um segundo turno na disputa pela presidência da República. Os menos avisados poderão acreditar, pela origem partidária dos candidatos, que se trata de uma disputa entre dois radicais. Disputam o segundo turno, após a eleição deste domingo, 18 de janeiro, António José Seguro, do PS, e André Ventura, do Chega, partido de matriz fascista, a exemplo de tantos outros de extrema direita que salpicam por todo o mundo. A ideia de um embate entre radicais, no entanto, é um engano.

Com pouco mais de 31% dos votos, António Seguro passa ao segundo turno catapultado por seu perfil moderado e por um discurso suprapartidário e de união nacional, que além dos eleitores do PS atraiu uma parcela expressiva de eleitores do PSD, partido que comanda o governo desde as eleições legislativas de 2024. “Jamais serei o presidente de uma parte contra outras partes: com a vossa confiança serei o presidente de todos os portugueses”, discursou Seguro no fim da noite de domingo.

Leia Também:  Família cobra extradição de brasileiro detido pelo ICE nos EUA

Na prática, o voto em Seguro foi a escolha dos portugueses para combater o extremismo de direita de André Ventura e para demonstrar a insatisfação com o atual governo do primeiro ministro Luís Montenegro. O candidato apoiado pelo governo, um famoso comentarista político de TV e antigo líder partidário, o advogado Luís Marques Mendes, perdeu fôlego durante a corrida eleitoral e terminou em quinto lugar com apenas 11,3% dos votos.

No decorrer da campanha, quanto mais se abraçava ao primeiro-ministro, mais pontos Marques Mendes perdia na preferência do eleitorado. Contribuíram para o fraco resultado governista o descontentamento com a saúde pública e uma proposta de reforma trabalhista que retira direitos dos trabalhadores.

Dono de um discurso incendiário, André Ventura também acabou beneficiado pelo mau humor dos eleitores com o governo. (Vale observar que nas eleições legislativas do ano passado, quando o primeiro ministro Luís Montenegro foi confirmado no cargo, o PSD obteve 31,2% dos votos, 20 pontos percentuais a mais do que o candidato a presidente apoiado pelo partido). Boa parte dos 23,5% da votação que Ventura colheu nas urna veio de eleitores de baixa renda, justamente aqueles que são presa fácil para seu discurso xenófobo, que atribui aos imigrantes a ocupação de postos de trabalho e a piora nos serviços de saúde. Em relação às legislativas do ano passado, Ventura teve apenas alguns décimos a mais do que a votação do seu partido, o Chega.

Leia Também:  Família cobra extradição de brasileiro detido pelo ICE nos EUA

Nessa corrida entre a moderação e a extrema direita, caso as pesquisas mantenham a precisão demonstrada no primeiro turno, Seguro deve ser eleito o novo presidente de Portugal. Em todas as simulações, Ventura perderia por vasta margem para qualquer candidato que enfrentasse no segundo turno. Num cenário projetado pelo instituto Pitagórica no dia 15 de janeiro,  António Seguro teria 67% das intenções de voto, contra 26% para André Ventura.

*Amaury Teixeira é jornalista e consultor de marketing político

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza