A narrativa do governador Mauro Mendes é clara: a culpa do escândalo dos consignados é da relação entre empresas e servidores públicos. O seu governo não tem nenhuma responsabilidade pelo escândalo: essa é a versão repetida pelo governador e já comprada por algumas autoridades responsáveis pelas instituições de controle.
Simples assim: se não há a responsabilidade do governo, não há o que investigar. Esse argumento raso ignora fatos e documentos revelados pelos sindicatos dos servidores. O governo trabalha para matar a instalação da CPI do Escândalo dos Consignados por aborto “espontâneo”.
O servidor de Mato Grosso não é tolo. Sabe que existem duas linhas bem definidas neste escândalo dos consignados:
1) barrar as fraudes; barrar de imediato a sangria criminosa no bolso dos servidores, e construir soluções para dar segurança financeira aos servidores, livrando-os do apetite voraz das financeiras “devoradoras”.
2) investigar como a situação chegou a tal ponto; quem abriu as portas para financeiras “devoradoras”, como era a gestão dos órgãos do estado, quais gestores sabiam da escalada das fraudes e não tomaram providências. É preciso investigar sim a responsabilidade do governo e dos seus gestores neste escândalo. As providências de uma linha não excluem as necessárias providências da outra linha.
O servidor, por enquanto, é tratado como joguete no meio dos interesses dos poderosos da economia e da política. Culpar o servidor pelo escândalo é um jogo cruel.
























