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ARTIGO

O risco silencioso de uma cidade que não acompanha seu tempo

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Cuiabá não tem muito tempo para decidir o que quer ser. A cidade cresce, o calor aumenta, o trânsito trava e o comportamento das pessoas muda em uma velocidade em que o planejamento urbano ainda não conseguiu acompanhar. A pergunta incômoda é simples: Cuiabá está sendo pensada para o futuro ou está apenas reagindo ao presente?

O varejo, muitas vezes visto como uma atividade econômica que reflete a dinâmica da cidade, pode ser o melhor termômetro para responder isso. Afinal, ele está colado no cotidiano. Sente primeiro as mudanças de comportamento, antecipa desejos e escancara frustrações. E o diagnóstico é direto: o consumidor do futuro não vai se adaptar à cidade – vai abandoná-la.

Esse consumidor já dá sinais claros. É digital, imediatista, orientado por dados, consciente ambiental e socialmente, e cada vez menos tolerante a experiências ruins. Tempo virou ativo de luxo. Conveniência deixou de ser diferencial – virou obrigação. E experiência, antes um bônus, agora é critério de sobrevivência.

O problema? Cuiabá ainda funciona como uma cidade analógica.

Dependente do carro, espalhada, pouco integrada digitalmente e, sobretudo, quente – extremamente quente. O calor não é apenas desconfortável, mas um elemento que reduz a circulação de pessoas, que se afastam das ruas esvaziando o comércio físico. Ignorar isso como “característica local” é um erro estratégico. Em cidades como Cuiabá, conforto térmico não é paisagismo: é infraestrutura.

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Mas há uma vantagem rara: ainda há espaço para fazer certo. Diferente de grandes metrópoles que vivem corrigindo erros históricos, Cuiabá pode escolher um caminho mais inteligente desde já.

Isso passa, inevitavelmente, por um conceito que parece simples, mas é revolucionário na prática: a cidade de proximidade. Uma cidade onde morar, trabalhar e consumir não exigem longos deslocamentos. Onde o cotidiano se resolve em até 15 minutos. Onde bairros deixam de ser dormitórios e passam a ser centros de vida.

Isso muda tudo. Reduz trânsito, fortalece o comércio local, melhora a qualidade de vida e cria uma cidade mais viva. Mas exige coragem: revisão de zoneamento, incentivo a bairros multifuncionais e uma nova lógica de planejamento urbano.

Outro ponto crítico é a infraestrutura digital. Não basta expandir a cidade fisicamente. É preciso conectá-la e capacitar pessoas para usar essa conexão. Sem inclusão digital real, qualquer avanço tecnológico vira apenas vitrine.

Por fim, há o fator mais negligenciado: gente. A cidade do futuro não será construída apenas com tecnologia, mas com pessoas preparadas para operá-la. Sem qualificação alinhada à demanda real, sem produtividade e sem inclusão, não há inovação que se sustente.

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Cuiabá tem diante de si a urgência de escolher se pretende continuar crescendo de forma desordenada ou se tornar referência entre as cidades de porte médio do Brasil. Não é uma questão técnica, mas uma decisão política, econômica e cultural.

Porque, no fim das contas, a lógica é implacável: cidades que não acompanham as pessoas deixam de ser relevantes. E relevância, no mundo de hoje, não é garantida: é conquistada dia a dia.

Daniel Matos é vice-presidente de Inteligência de Mercado no Grupo Matos e diretor na CDL Cuiabá.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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