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ARTIGO

Paz ao pix

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Dia desses, em uma compra eletrônica, de duzentos e pouco reais, obtive um desconto de 7,5%, simplesmente por pagar via pix. Com o valor economizado, poderia ter adquirido dois quilos de feijão preto, santo ingrediente de um prato apropriado para enfrentar a próxima frente fria a pousar em Cuiabá ou simplesmente optar por duas long necks de boa qualidade, e bem geladas, na distribuidora mais próxima, para os dias de altas temperaturas e baixa umidade do ar previstos para os cinco meses que virão pela frente.

Caso optasse pelo pagamento via cartão (de débito ou de crédito), além do adeus ao desconto concedido, quem me vendeu ainda pagaria taxas variando entre 1,29% e 4% ao administrador da bandeira utilizada. Mas ainda bem que o pix existe, está prestes a completar seis anos de operação e vem crescendo substancialmente ano após ano, desde novembro de 2020, quando o Brasil e o mundo viviam os efeitos letais da pandemia da Covid 19.

Nos dois primeiros meses daquele ano, o movimento foi “tímido”: R$ 133,1 bilhões. No ano seguinte (2021) saltou para R$ 5 trilhões; dobrou em 2022 para R$ 10,9 trilhões; R$ 17,2 trilhões em 2023; R$ 26,5 trilhões em 2024; e R$ 35,36 trilhões em 2025. Um crescimento superior a 600%, se considerado a partir de 2021, bem acima dos 36,17% acumulados da inflação no período. No total, foram mais de R$ 94 bilhões movimentados em 219 bilhões de transações.

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De olho neste mercado, já que duas das principais bandeiras de maior uso no Brasil são norte-americanas, a equipe de Donald Trump ataca a ferramenta brasileira pela segunda vez (a primeira foi em julho do ano passado), embora o maior prejudicado nesta competição seja o cartão de débito, cuja movimentação permanece estagnada em R$ 1 trilhão desde 2023. Já os cartões de crédito estão de vento em popa. Cresceram 162% entre 2020 e 2025. De R$ 1,18 trilhão para R$ 3,1 trilhões, apesar de não passarem de 10% do movimento do pix, já consolidado como principal meio de pagamento e de transferência financeira do Brasil. Parece que apenas os ganhos em cima das taxas cobradas nas transações por cartões (débito e crédito) não satisfazem o apetite do Tio Sam. O fim do pix lhe poderia gerar novos ganhos.

Não faço previsões e nem trago sonhos perdidos de volta, mas, com certeza, a nova investida tumpista, assim como o novo tarifaço prometido, não deve progredir. A não ser, claro, que Donald não tenha resistido ao sex appeal de Lula, finja que apoia o Tariflávio, mas no fundo quer seu contemporâneo quase octogenário subindo a rampa do Palácio do Planalto pela quarta vez. O Flavio viu que tinha se metido numa enrascada daquela, ao mexer no pix com vara curta, e já se apressou a se desmentir (nossa! Como ele gosta disso). Declarou publicamente que não quer prejudicar nem acabar com o pix. Assim como havia dito não conhecer (Daniel) Vorcaro.

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Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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