
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quarta-feira (14) a operação Cartório Central, que cumpre 471 ordens judiciais contra uma facção criminosa com atuação em Primavera do Leste e municípios da região. O grupo é investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial.
Ao todo, são 225 mandados de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens e valores. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste, a partir de investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Os mandados são cumpridos em cidades de Mato Grosso e também nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre e São Paulo. A ação mobiliza um grande contingente de policiais civis, com apoio de unidades especializadas e forças policiais dos demais estados envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, a operação tem como objetivo desarticular a estrutura da facção, identificar e responsabilizar seus integrantes e interromper o fluxo financeiro ilícito que sustentava as atividades criminosas do grupo na região.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste por meio da Divisão de Investigação sobre Entorpecentes, começaram há pouco mais de um ano. Elas apontaram a existência de uma organização criminosa com divisão de funções, hierarquia definida, controle financeiro e logística própria, responsável por coordenar crimes no município e em cidades vizinhas.
De acordo com a apuração, o grupo mantinha um sistema próprio de arrecadação e repasse de valores, além de cobrança de dívidas ilícitas. Também organizava o comércio de entorpecentes e impunha regras internas aos integrantes, com indícios de envolvimento em crimes como extorsão, lavagem de capitais e associação criminosa.
A Polícia Civil identificou ainda movimentações financeiras compatíveis com lavagem de dinheiro. Parte dos recursos obtidos com o tráfico era usada para a concessão de empréstimos informais, principalmente a comerciantes locais, como forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro. A prática se enquadra no crime de usura pecuniária, que prevê punição para a cobrança de juros acima do limite legal.
Segundo os investigadores, o esquema era supervisionado por integrantes de escalões mais altos da facção, responsáveis pelo financiamento ilegal. As cobranças contavam com apoio do chamado “quadro de disciplina”, que articulava represálias e até sequestros contra agiotas que atuavam de forma independente.
O delegado Rodolpho Bandeira, responsável pelo caso, afirmou que as investigações continuam e que o material apreendido será analisado para identificar novos envolvidos e aprofundar a responsabilização criminal e patrimonial dos integrantes do grupo. “A operação representa um passo importante no enfrentamento ao crime organizado e às facções que tentam se estruturar no interior do Estado e expandir sua atuação para outras regiões do país”, disse.






















