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PRA-MT

Seduc tenta manipular índices da educação em MT, afirma sindicato

Alvo de críticas, programa lançado na última semana conta com correção de redações por inteligência artificial e formação de turmas com estudantes de 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio juntos.

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Projeto da Seduc seria tentativa de manipular índices de qualidade da educação em MT, aponta sindicato
Projeto da Seduc seria tentativa de manipular índices de qualidade da educação em MT, aponta sindicato (Foto: Governo de Mato Grosso)

Para o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) o Programa de Recomposição da Aprendizagem para o Ensino Médio (PRA-MT) lançado pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) na última semana é uma tentativa de “mexer nos índices de reprovação e manipular os índices de qualidade da educação”. O programa determina a criação de turmas separadas para estudantes com atraso escolar ou dificuldade de aprendizagem na rede pública estadual.

A divulgação do lançamento do programa ocorreu neste sábado (24.05). Na sexta-feira (23.05), o PNB Online publicou uma reportagem em que uma mãe e um membro da equipe pedagógica do Liceu Cuiabano denunciam a segregação de estudantes por meio do programa. Conforme mostrou a reportagem, a medida está gerando forte resistência entre educadores e famílias. “É um absurdo. Estão tirando os nossos filhos das turmas regulares para colocá-los num grupo à parte, como se não servissem mais para nada”, afirmou a mãe de uma adolescente de 16 anos.

Leia também: Seduc-MT é acusada de segregar estudantes com dificuldades de aprendizagem

Conforme o deputado estadual e dirigente sindical, professor Henrique Lopes (PT), o rearranjo das turmas, previsto para início nesta segunda-feira (26.05), foi feito por Avaliação Externa. “Uma empresa contratada aplicou prova que resultou na reclassificação dos alunos. Serão criadas turmas com estudantes que não atingiram a média esperada, numa única sala. Uma espécie de turma multisseriada acelerada com estudantes do 1º, 2º e 3º anos. A ideia da Seduc-MT é que até o final do ano esses estudantes estejam fora da escola”, destaca o parlamentar.

Lopes afirma que as escolas terão que fechar as turmas existentes, pois não existem salas onde possam colocar esses estudantes. “O objetivo é fechar a turma regular, o que impactará na atribuição de aulas. Esses alunos das turmas regulares vão ser encaixados em novas turmas e turnos, a partir da possibilidade das salas. O que mexerá com toda a organização da escola”, disse.

De fato, em uma normativa enviada aos diretores das escolas que participarão do projeto, a Seduc-MT deixa em aberto se os estudantes matriculados originalmente no 1º e no 2º anos concluirão o ensino médio ainda neste ano letivo ou se permanecerão nas “Turmas PRA” nos próximos anos. “No caso dos estudantes com distorção idade/série matriculados no 1º e 2º ano do ensino médio, no encerramento do 1º módulo enviaremos orientações quanto aos procedimentos a serem adotados para fins de escrituração escolar”, diz a normativa.

Segundo o professor e dirigente sindical, Gilmar Soares, a medida é uma forma de segregar estudantes que têm dificuldades de aprendizagem. No caso da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que compõe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), somente os estudantes avaliados aptos participam. “Essa é uma forma de elevar o índice de aprovação em Mato Grosso, com uma clara manipulação das reais condições de ensino e aprendizagem nas escolas da rede estadual em MT”, avalia.

Professores da rede pública ouvidos pelo PNB Online afirmam que, em reunião na semana passada, foram orientados a lançar notas nas médias dos estudantes das ‘Turmas Pra’, numa tentativa de recompor os resultados.

O que diz a Seduc

Para a pasta, o programa é “uma iniciativa pioneira que visa garantir a permanência escolar, a equidade e a conclusão qualificada do Ensino Médio para estudantes da rede pública estadual”. A secretaria comandada por Alan Porto destacou que PRA-MT está alinhado à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e ao Plano Nacional de Educação.

De acordo com o Governo, o programa vai oferecer suporte estruturado para recomposição das aprendizagens essenciais para estudantes de 3º ano e “um processo de reclassificação, possibilitando avanço na trajetória educacional mediante avaliação”, para estudantes do 1º e 2º ano que apresentam distorção idade-série. Não foi explicado como se dará esse processo dentro de turmas multisseriadas.

“Mais do que corrigir defasagens, o PRA MT é uma chance concreta de sucesso para nossos jovens. Ele estimula o protagonismo estudantil e prepara os alunos para o ingresso no ensino superior e o mercado de trabalho, com uma visão cidadã e inclusiva”, afirmou Porto.

A pasta detacou ainda que o programa contempla avaliações processuais e formativas, portfólios de aprendizagem, redações com correção automatizada por inteligência artificial e autoavaliação dos estudantes. “Essas ferramentas possibilitam intervenções pedagógicas contínuas e individualizadas, garantindo que o ensino seja adaptado às necessidades específicas de cada aluno”, traz a explicação.

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