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A POLÍTICA DA INEVITABILIDADE

Sem saída, Mauro escolhe a “facção” da extrema-direita? 

Governo de Mato Grosso culpa pais de jovens da periferia por “deixarem” para os seus filhos a “escolha” de entrar para as facções criminosas. Mauro Mendes assume em sua propaganda a ideologia da extrema-direita da inevitabilidade como forma de se eximir de responsabilidades sociais e políticas com os jovens pobres, e uma espécie de confissão de que está perdendo a luta contra o poderoso crime organizado.

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A peça de propaganda do governo Mauro Mendes é uma declaração pública da sua adesão à tese da inevitabilidade da extrema-direita. Diz claramente que a culpa dos jovens pobres entrarem para o crime organizado é dos seus pais, eximindo-se por completo das suas responsabilidades sociais e políticas. Simples assim, a culpa do ingresso da juventude nas facções é da família e uma questão de escolha pessoal de meninos e meninas.

A propaganda é uma covardia contra os jovens da periferia, um espetáculo de terror contra a população mais pobre, segmento mais vulnerável ao domínio das facções hoje nos bairros das principais cidades de Mato Grosso. Lista exemplos macabros da culpa da escolha feita pelos jovens. E, pior, potencializa a ideia do poder das facções: 

– “Três jovens escolheram entrar para o tráfico de drogas e foram condenados a 16 anos de prisão”.

– “Um adolescente identificado pelas iniciais PH também se envolveu com o crime e foi morto por uma facção aos 14 anos de idade. A mãe dele recebeu foto de seu cadáver em um aplicativo de mensagens”.

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– “A jovem GSP criticou a droga vendida por uma facção. Ela foi sequestrada e torturada até a morte por Faccionados. BF, de 18 anos, foi morto na frente de sua família por jovens de facção rival”.

– “Jesse, de 16 anos, também escolheu entrar para o crime e foi decapitado ainda vivo por uma facção por dívidas do tráfico de drogas”.

A propaganda de Mauro Mendes expressa a ideia da extrema-direita de inevitabilidade, do destino selado para os jovens da periferia pela sua escolha pessoal e pela permissão das suas famílias de entrar para o crime organizado que domina hoje a periferia das principais cidades de Mato Grosso. Nenhuma palavra sobre as responsabilidades que cabe ao governo. Ao contrário, joga a culpa toda na população pobre:  

– “Entrou para o crime. Só tem duas saídas: cadeia ou morte. Não deixe seu filho escolher o mesmo caminho, senão terá o mesmo fim.

Timothy Snyder, em seu livro “Na contramão da liberdade”, usa o termo ‘política de inevitabilidade’ para falar de uma ideologia de viés autoritário que não assume responsabilidades. Para Snyder, “o clichê da política da inevitabilidade” é o famoso “não há alternativas”. 

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Mauro Mendes parece ter escolhido a “facção” da extrema-direita como modelo da ação política e eleitoral. O beija-mão a Jair Bolsonaro no evento de Copacabana mostra que a estratégia vai além de colar na imagem do líder brasileiro da extrema-direita, mas de imitar gestos e ações que são caras ao bolsonarismo.

Essa propaganda marca o ponto de passagem do político de direita para a extrema-direita? É uma questão de escolha pessoal do governador? Com a palavra, o senhor governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.

*Pedro Pinto de Oliveira é professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG

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