Servidores do Estado de Mato Grosso foram alvos de espionagem por parte da Abin Paralela que teria beneficiado diretamente o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), de acordo com a Polícia Federal.
Trechos do relatório, cujo sigilo foi retirado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mostram que Leonice Auxiliadora Campos Alves, que atua como Técnico de Desenvolvimento Econômico e Social da Secretaria de Estado de Gestão do Governo de Mato Grosso. Em 2017, Leonice foi aposentada por tempo de contribuição.
A Abin paralela também investigou Gustavo Correa da Silva Campos, 1º Tenente do Corpo de Bombeiro Militar de Mato Grosso.
Para os dois casos, a investigação clandestina usou o equipamento israelense denominado First Mile, que utiliza números de telefone para precisar a localização dos alvos.
Ocorreram 20 pesquisas com o nome do tenente do Corpo de Bombeiros entre 20/01/2021 e 26/01/2021. No caso da servidora pública, foi feita uma consulta no dia 10/04/2020, sem registro de operação associada.
Segundo a PF, o nome de Leonice foi consultado pelo servidor Alexandre de Oliveira Pasiani, que foi nomeado como fiscal de contrato do sistema First Mile em 2018. Alexandre utilizou a credencial 10973, pela qual realizou 146 consultas no sistema. Para a Polícia Federal, Pasini deixou de fiscalizar o sistema, visando interesses pessoais. Pasini foi indiciado por falsidade ideológica pela Polícia Federal.
“Em vez de confrontar a manifesta ilegalidade do sistema – uma ferramenta de espionagem operada sem o devido controle judicial – e de formalizar óbices à sua aquisição e uso, optou pela omissão. Tal conduta foi motivada por interesse pessoal, consistente em manter sua posição de prestígio, evitar confronto direto com a alta gestão da ABIN que patrocinava o projeto e, assim, garantir sua estabilidade e carreira dentro da estrutura. Ao se omitir deliberadamente, permitiu que uma ferramenta ilegal fosse implementada e utilizada, praticando, em tese, o crime de prevaricação”, diz trecho do relatório da PF.
O nome do bombeiro Gustavo Correa da Silva Campos foi pesquisado no First Mile por Renato Pereira de Araújo, que utilizou credencial TF02 para realizar 950 consultas em 118 terminais telefônicos. Segundo a PF, o servidor não ocupou função de destaque no período de 2019 até 2021. O oficial era servidor recém-ingresso e atuava sob subordinação hierárquica na Turma F, chefiada por Alan Oleskoviz. A PF não cita indiciamento de Gustavo Correa da Silva Campos.





















