Uma testemunha do assassinato do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Renato Nery, foi ameaçada por suspeitos que disseram saber que ela ia até a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar depoimento.
A ameaça foi feita na tarde de 11 de fevereiro deste ano, na mesma data da segunda fase da Operação Office Crime, que mirou o escritório dos advogados Antônio João de Carvalho Júnior e Agnaldo Bezerra Bonfim, acusados de participação no crime.
A testemunha contou na 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá que recebeu uma ligação por telefone sem identificação. Segundo ela, um interlocutor perguntou informações do seu filho e disse saber que eles estavam sendo ouvidos na DHPP.
Ao questionar quem falava na ligação, o suspeito disse que ninguém precisava saber quem estava falando e mencionou que estava na Gleba Califórnia, no município de Novo São Joaquim.
O suspeito se identificou como chefe do Comando Vermelho e que, por conta da “movimentação de policiais” na região, em razão da morte de Nery, os faccionados estavam irritados.
Entre as ameaças do bandido estava a de que a testemunha deveria preparar armamento porque um “disciplina” estaria indo para Cuiabá com o objetivo de atacá-la.
Os policiais suspeitam que a declaração tenha sido feita para “despistar” os investigadores de policiais que estavam na mira das investigações. No dia 6 de março, logo depois das ameaças, quatro policiais foram presos por suspeita de participação na morte de Nery.
O que diz a Polícia Civil
A reportagem questionou a Polícia Civil sobre o registro da ameaça. Os questionamentos foram enviados à assessoria de imprensa da polícia. Em nota, a PJC enviou uma nota afirmando que o Boletim de Ocorrência faz parte da investigação sobre a morte.
Questionamentos a PJC
A Polícia Civil informa a ocorrência de natureza: ameaça, registrada pela vítima em fevereiro de 2025.
O comunicante (vítima) foi ouvido na DHPP e prestou esclarecimentos acerca dos fatos narrados no boletim de ocorrência.
As informações prestadas pela vítima (que é sócio do advogado Renato Nery) foram incluídas e fazem parte da investigação que apura o homicídio.
É disponibilizado ao cidadão o programa PROVITA, do Ministério Público de Mato Grosso, que atua na proteção às vítimas e testemunhas de crimes, e visa garantir a integridade física e psicológica dessas pessoas, bem como fornecer assistência psicossocial e jurídica. O programa foi instituído em Mato Grosso a partir de uma recomendação do MPMT e está amparado pela Lei Federal nº 9.807/1999.

















