O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, determinou a realização de uma inspeção na MT-170 para apurar denúncias de irregularidades na execução da obra. A rodovia apresenta deterioração menos de um ano após a conclusão das obras, gerando prejuízos à população, ao escoamento da produção e à segurança dos motoristas que trafegam pela via. Além disso, uma engenheira que atuou na Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) como secretária adjunta de Obras Rodoviárias denunciou que apresentou um relatório apontando equívocos no projeto, antes da conclusão da obra, mas acabou sendo exonerada do cargo.
A rodovia MT-170, antiga BR-174 no trecho entre Castanheira, Juruena e Colniza, foi estadualizada em junho de 2022, para acelerar a pavimentação de 271,6 km. Mas o que era um sonho para os moradores da região, se tornou pesadelo.
Vereadores e lideranças políticas daquela região, no Noroeste de Mato Grosso, se reuniram com o conselheiro Sérgio Ricardo e apresentaram relatos sobre a deterioração completa da rodovia. Diante do cenário, o presidente convocou para a próxima semana as quatro empresas responsáveis pela execução da obra: MT-Sul, Guache, Cavalca e Agrimat, além da Consol, que foi contratada pelo Governo do Estado para fazer a fiscalização das demais. “Vamos fazer uma auditoria específica para saber o que foi feito e o que vai se gastar para refazer essa rodovia. Para a gente ter uma noção de quanto dinheiro foi jogado fora”.

Rodovia virou farelo
No encontro, que reuniu representantes de Aripuanã, Castanheira, Cotriguaçu, Colniza, Juína e Juruena, a principal falha apontada foi a qualidade do material utilizado, incompatível com as condições da via. “Essa estrada não tem como recuperar, não tem como tapar buraco, porque não tem buraco. Ela acabou toda. Esfarelou. Tem que passar equipamento, tirar todo esse lixo e fazer tudo novamente”, afirmou Sérgio Ricardo.
Outra denúncia apresentada diz respeito à falta de assistência das empresas. “O Código Civil determina que quem fez a construção tem que dar cinco anos de garantia e nos informaram que o seguro da MT-Sul estava vencido, portanto, não foi possível acionar a garantia para refazer a parte da obra. É uma grande bagunça, com muita irresponsabilidade e incompetência”, reclamou o conselheiro.
“Já estão acontecendo mortes, fatalidades naquela região e nós, vereadores, não podemos admitir isso. Por isso estamos questionando a qualidade da pavimentação. É isso que nós queremos: qualidade na pavimentação asfáltica de Castanheira a Colniza. Esse é o sonho da nossa região”, declarou o vereador Oseia Pereira Guedes, de Colniza.
Denúncia e exoneração
A ex-secretária adjunta de Obras Rodoviárias da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), engenheira Nívia Calzolari, participou da reunião e relatou ter identificado os problemas durante a execução da obra. Ela disse ainda que registrou suas ressalvas em relatórios técnicos, incluindo patologias na pista detectadas ainda durante a aplicação de uma das camadas de pavimentação.

“Suspendi o processo e questionei as premissas do projeto para verificar se havia problema entre coeficientes, materiais e dimensionamento”, explicou. Para ela, o problema evidencia a urgência de uma transformação na estrutura logística do estado. “Se o nosso estado necessita de uma tecnologia mais aprimorada nos recursos de pavimentação, acredito que o Tribunal pode olhar para isso”. Segundo a ex-secretária adjunta, o projeto levado adiante pelo Estado estava fadado a dar problemas futuros. “[O projeto] não é adequado para aquele tipo de solo, tipo de região e demanda de transporte”, completou.
Os apontamentos feitos pela engenheira, no entanto, não foram atendidos e ela acabou sendo exonerada do cargo. “Eu mandei as explicações às 16h27 de sexta-feira e, na segunda-feira, às 7h da manhã eu estava exonerada. E não tem nada que eu saiba que me desabilite”.
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