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CUSTOS AO CONSUMIDOR

Rico em recursos energéticos, MT ainda tem uma das tarifas mais caras do país

Estado abriga grandes usinas e linhas de transmissão, mas paga mais de R$ 0,84 por kWh, conforme a Aneel.

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Rico em recursos energéticos, MT ainda tem uma das tarifas mais caras do país (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mesmo sendo uma importante região produtora de energia do país, Mato Grosso continua pagando uma das tarifas mais caras. Segundo ranking divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a tarifa média paga pelo consumidor da Energisa MT em 2024 é de R$ 0,847 por kWh, a sexta mais alta do Brasil, e acima da média nacional.

O dado chama atenção porque o estado abriga grandes ativos do setor elétrico, além de diversas hidrelétricas de médio e grande porte. Ainda assim, essa infraestrutura pouco se reflete no bolso do consumidor mato-grossense. Para o engenheiro elétrico e professor da Universidade Federal de Itajubá, José Marangon, a resposta está no próprio desenho do sistema energético brasileiro. 

Em palestra no Encontro da Indústria do Setor Elétrico, realizado em Cuiabá nesta terça-feira (20.05) pelo Sindenergia (Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso), Marangon explicou que o modelo criado no final dos anos 1990 favorece principalmente a região Sudeste, onde estão os grandes centros consumidores do país. 

“Esse país foi construído com a lógica de levar energia das hidrelétricas no interior para os grandes centros no litoral”, disse Marangon, que já atuou na Eletrobras, na Aneel e no Ministério de Minas e Energia. “A linha de corrente contínua que atravessa Mato Grosso, por exemplo, liga Porto Velho a São Paulo. Mas a energia não fica aqui. Ela passa, vai embora”.

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Ele destacou que, embora o estado seja rico em potencial hidráulico e solar, a interiorização da geração não foi acompanhada por uma interiorização dos benefícios. “Mato Grosso é quase como o Amazonas nesse sentido: gera muito, mas consome pouco, e paga caro”, afirmou.

Tarifas elevadas e pouca geração local conectada

(Foto: Safira Campos / PNB Online)

O caso de Mato Grosso não é isolado. Entre as dez tarifas mais altas do país, segundo a Aneel, estão também estados da região Norte e Nordeste, como Pará, Alagoas e Amazonas. A distribuidora com a tarifa mais cara em 2024 é a Equatorial Pará (R$ 0,938/kWh), seguida pela Enel RJ (R$ 0,913/kWh) e Energisa MS (R$ 0,870/kWh).

Marangon lembrou que a energia gerada no Brasil segue uma lógica de leilões e contratos de longo prazo firmados no mercado regulado, e que o consumidor final arca com os custos da transmissão e da distribuição. O especialista também destacou o papel da chamada geração distribuída, como a solar em telhados, no alívio da tarifa, mas alertou que ela ainda é mal compreendida e mal regulada. “A geração distribuída pode ser parte da solução, mas há resistência das distribuidoras. É preciso mudar a lógica do sistema”, disse.

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Encontro do setor

O evento ocorrido entre 20 e 21 de maio reuniu representantes de empresas do setor, autoridades estaduais e especialistas em energia para discutir propostas e encaminhamentos capazes de destravar o crescimento energético de Mato Grosso. Durante a abertura do Encontro, o presidente do Sindenergia, Carlos Coelho Garcia afirmou que Mato Grosso vive um momento decisivo para o futuro do setor elétrico.

“Somos, de um lado, um dos maiores potenciais remanescentes do país. Por outro, passamos por um período desafiador, em que a infraestrutura existente não suporta o crescimento da nossa matriz elétrica”, disse. “Precisamos urgentemente garantir a expansão da infraestrutura e viabilizar o crescimento do nosso parque gerador, sobretudo com fontes hidrotérmicas e solar. Isso é fundamental não só para baratear a energia, mas para garantir a qualidade do fornecimento e sustentar o desenvolvimento industrial do estado”, completou.

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