Sessenta e cinco mudas de ipê-roxo foram plantadas no Parque da Família Mahatma Gandhi, no bairro Terra Nova, em Cuiabá – atrás do Shopping Pantanal, em homenagem às vítimas de feminicídios ocorridos em Mato Grosso nos anos de 2024 e 2025, até o mês de maio. A ação ocorreu nesta quinta-feira (05.06), Dia Mundial do Meio Ambiente, e é uma idealização do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
“Esse não é um plantio qualquer. Temos uma missão: relembrar as mulheres e fortalecer a memória delas. Por isso, também estamos inaugurando uma placa, transformando este ato em um Memorial às Vítimas de Feminicídio, não só de Cuiabá, mas de todo o estado de Mato Grosso. A placa dispõe de um QR Code que leva à página do Observatório Caliandra, onde há os perfis e as fotos das vítimas, para que todos possam conhecer e saber quem foram essas mulheres. Precisamos colocar em evidência essa temática tão séria, discutir e falar sobre ela todos os dias”, afirmou a promotora de Justiça da 15ª Promotoria Criminal e Coordenadora Administrativa do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá, Claire Vogel Dutra.

A iniciativa replantou 54 mudas de ipês que, inicialmente, estavam na 2ª Etapa do Parque Tia Nair e precisaram ser transferidas, além do plantio de 11 novas mudas que simbolizam as mulheres que tiveram suas vidas ceifadas durante esse curto intervalo de dois meses. A ideia é fazer com que todos que passarem pelo local possam apreciar a grandeza das árvores, desfrutar da sombra, entender a gravidade do assunto, refletir e se conscientizar sobre a importância da luta, com foco na diminuição dos casos.
O ipê foi escolhido por ser uma árvore originária da Mata Atlântica brasileira. A árvore, com sua florada de cor roxa, simboliza cada mulher, filha, mãe, avó, tia, prima, amiga, que deixou de florescer por ser mulher.
A tenente-coronel e secretária da Mulher de Cuiabá, Hadassah Suzannah, enfatizou que, quando um crime como esse acontece, há de se olhar para a dor e entender que a sociedade falhou na formação do caráter desses homens e na proteção das vítimas. “Está aqui a reflexão, está aqui o nosso desafio, a necessidade de olhar para as crianças [órfãs do feminicídio] e entender que a gente precisa sempre, como bom militar, não baixar a guarda. Estamos sempre em guerra quando o assunto é feminicídio”, pontuou.

De acordo com a vereadora de Cuiabá, Maysa Leão, para quebrar o ciclo de violência é importante atuar em rede e abordar esse problema já nas escolas, para conscientizar desde cedo. “A rede de enfrentamento à violência contra as mulheres só funciona se todos os entes envolvidos estiverem conversando juntos, na mesma mesa. […] Eu estou com o nome da Yasmin Farias Cardoso nas mãos e este evento é para que a Yasmin nunca seja esquecida. Para que cada pessoa que se sentar neste parque sinta, em seu coração, a dor dessas famílias e entenda que essa é uma luta de todos nós”, reforçou.
Placa “Em Memória Delas”
A placa, com as informações sobre as vítimas e canais de denúncia, é fruto de uma colaboração entre o MPMT e a empresa Águas Cuiabá. “Nossa sólida parceria com o Ministério Público em causas tão relevantes à coletividade, incluindo o combate à violência contra a mulher, muito nos honra. Cuidar do meio ambiente e das pessoas é promover saúde, cidadania e dignidade. Temos a clareza que cada árvore plantada, cada casa conectada à rede de esgoto e cada ação de conscientização nos une numa sociedade melhor, mais inclusiva e sustentável”, destacou o diretor geral da Águas Cuiabá, Leonardo Menna.
Em 2024, Mato Grosso registrou 47 feminicídios e, até maio de 2025, foram 18 mulheres assassinadas, com 83% de denúncias formalizadas pelo MPMT no crime de feminicídio, tipificados com base no Art. 121-A do Código Penal, conforme a Lei 14.994/2024.
Observatório Caliandra
O Observatório Caliandra é uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso que objetiva atuar ativamente na prevenção, orientação e sensibilização da população sobre a violência contra as mulheres.
Fonte: Ministério Público MT – MT























