Pesquisar
Close this search box.
ARTIGO

Relato de uma alcoólica que vive em recuperação

Publicidade

Eu venho de uma família estruturada, com uma mãe amorosa e um pai dedicado. Mesmo nascida em um ambiente familiar estruturado, tendo estudado, concluído a faculdade, realizado pós-graduação e trabalhando, nem a família, nem os estudos e muito menos o trabalho me impediram de ter um envolvimento intenso com o álcool.

Na adolescência eu bebi muitos tipos de bebidas alcoólicas e fiquei exposta a situações de perigo. Vulnerável diante de uma bebedeira, passei por muitas situações abusivas.

Quando me tornei adulta, casei-me e tive duas filhas. Na época eu bebia demais e não sabia o porquê de não conseguir parar. Eu tentei de muitas formas, mas volta e meia lá estava eu bêbada de novo.

Quando ingeria o primeiro gole, eu não conseguia parar mais. O álcool ativava uma compulsão física e uma obsessão mental em mim e nada mais importava. Nem marido, nem filhas.

Um dia eu estava rastejando, bêbada no chão da casa da minha sogra. Minhas filhas estavam chorando com medo de mim, uma com dois e a outra com cinco anos. Meu marido estava me filmando com o celular e dizia durante a gravação: “Olha como ela fica! Olha isso! Eu não sei mais o que fazer”.

Leia Também:  A conta que ninguém quer fazer

Neste momento eu tentava me esconder atrás dos móveis fugindo dele. Este vídeo ele enviou para meu pai, minha mãe e minhas irmãs. Eu estava no fundo do poço, sofrendo violência de variadas formas, e mesmo assim não conseguia parar de beber.

Eu não aguentava mais as humilhações e vergonhas que passava. Eu não queria mais expor minhas filhas a toda aquela situação. Então, pedi ajuda. Procurei na internet e encontrei o telefone dos Alcoólicos Anônimos. Meu marido era muito ciumento e violento, não aceitava que eu fosse a uma reunião onde houvesse homens e só permitiu que eu conhecesse A. A. desde que houvesse uma reunião exclusiva para mulheres.

Foi assim que conheci a Reunião de Propósito Especial Feminino, exclusiva para mulheres alcoólicas. Fui muito bem acolhida, conheci mulheres que me ajudaram muito. Lá eu soube que o alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal. E que existe uma programação sugerida por A. A. que me leva ao autoconhecimento, à honestidade, à humildade e à espiritualidade. Essa reunião feminina foi a porta de entrada para eu conhecer Alcoólicos Anônimos. Com o tempo comecei a frequentar reuniões num grupo misto e aprendi muito, encontrei apoio, fortalecimento e uma verdadeira irmandade. Foi revigorante!

Leia Também:  A revolução digital de Taiwan na Saúde

A partir da minha chegada em Alcoólicos Anônimos, em 2022, comecei minha caminhada pela recuperação e em busca de sobriedade. Aprendi a evitar o primeiro gole, só por hoje. Identifiquei situações na minha vida que foram superadas e hoje, em recuperação, posso afirmar que tenho uma vida útil e feliz. Durmo tranquila e em paz.

Sou uma mãe dedicada, cuido de minhas filhas com muito amor e carinho. Cuido do meu novo lar que é organizado, cheiroso, acolhedor e tranquilo. Trabalho com honestidade, compromisso e responsabilidade na profissão que eu amo. Obtive conquistas materiais que jamais imaginava ter antes, na ativa alcoólica.

Estou sóbria e vivendo em paz, sou muito grata a essa irmandade que salvou a minha vida e hoje tenho um propósito de vida que é servir! Sou muito feliz sóbria!

*Melissa é nome fictício em respeito à tradição do anonimato

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza