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ARTIGO

A fome e o tarifaço

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Os brasileiros tivemos duas notícias de peso na semana que passou. Ambas amplamente repercutidas nos noticiários, diga-se de passagem, de todas as cores ideológicas. Pelos meus parâmetros, uma boa e outra má (não tanto quanto pintaram antes dela ser confirmada, mas não deixa de ser ruim). A boa é que, pela segunda vez, em pouco mais de uma década, o Brasil deixa o Mapa da Fome, um indicador da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) para identificar países onde mais de 2,5% da população passa fome.

A primeira foi em 2014, já no governo, deposto, de Dilma Rousseff. Quatro anos depois, após o desmonte de toda uma política de inclusão social, tudo voltou à estaca a zero e o país retornou ao “maledetto”. Mas, na segunda-feira, 28, saiu o anúncio da nova retirada. Não sei se a FAO é um antro de comunistas, como chegaram a dizer sobre a Academia de Artes e Ciências Cinematográfica por ter concedido o Oscar ao filme brasileiro “Ainda Estamos Aqui”, mas parece que alguns fatores internos influenciaram, em muito, esta decisão. Entre eles, pode-se citar a redução do desemprego, que caiu para 6,6% em 2024, o menor índice desde 2012.

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Dados do Caged: no ano passado foram criadas (um sinal de que houve mais trabalhadores admitidos do que demitidos no período) 1,7 milhão de vagas. Deste total, 75% eram beneficiários do Bolsa-Família. Passaram a ter renda e deixaram de receber o benefício em julho deste ano, derrubando a versão “quem recebe Bolsa-Família não quer saber de procurar emprego”. Neste caso específico, estão aí 1,27 milhão de desmentidos.

A notícia ruim foi, claro, a confirmação do tarifaço do Trump. Não veio tão pesado como foi pintado, já que quase 700 itens não entraram na lista, como aeronaves civis, combustíveis, minérios, fertilizantes e suco de laranja. Com isso, US$ 18,4 bilhões deixarão de ser taxados em 50%, o equivalente a 43,4% dos US$ 42,3 bilhões exportados para os EUA, conforme cálculo da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).

Quem não está gostando nada disso são os empresários do agronegócio e do setor de armas, considerados mais pendentes ao bolsonarismo (as bancadas ruralista e da segurança somam mais de 400 representantes no Congresso, a maioria conservadora). Apesar do suco de laranja, milho e soja estarem fora do tarifaço, mesmo assim o setor será atingido. Carne bovina, açúcares e café estão entre os principais. A turma do café até esperava uma atenuante por parte de Trump, já que quase um terço das 27 milhões de sacas consumidas nos EUA são de origem brasileira. Quanto às armas, 82% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos.

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Ao contrário do bolsonarismo, nocauteado, mesmo que momentaneamente, pelo tarifaço do Trump, a aprovação do Governo Lula voltou a subir. No final de julho, registrou saldo positivo, o que não acontecia desde outubro do ano passado.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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