
O antropólogo e professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Pedro Paulo Gomes Pereira, estará em Cuiabá nesta terça-feira (12.08) para lançar a obra ‘Sertão Dilacerado: Glauber Rocha e os outros da nação’. O evento acontece às 18h, no Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia da UFMT. O lançamento é aberto ao público.
Com trajetória acadêmica que transita entre temas como relações de gênero e sexualidade, saúde coletiva e antropologia do cinema, Pedro Paulo propõe, na obra, uma leitura do cinema glauberiano a partir de uma “escuta antropológica”: aquela que busca, nas dobras da estética, as camadas não resolvidas da vida social.
Dividido em quatro capítulos, o livro examina o sertão cinematográfico como geografia imaginativa e metáfora para pensar a nação brasileira, seus projetos de construção republicana pós-império e pós-escravidão, e as formas de exclusão e invisibilidade de grande parte da população.

“O livro percorre temas que dialogam como a nação como campo de disputa, o sertão como metáfora aberta, o cinema como máquina de invenção e de perturbação das certezas. Não se trata de uma leitura fechada ou de um mapeamento definitivo, mas de um exercício de circulação entre cinema, antropologia e teoria social”, disse o autor ao PNB Online.
Pedro Paulo é mestre e doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília e possui pós-doutorado pela Universidade de Barcelona. Foi bolsista da Fundación Carolina, na Universidad Rovira y Virgili (Espanha), e recebeu, em 2002, o Prêmio Antropologia e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Antropologia. Coordena o Quereres (Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Direitos Humanos e Saúde), e tem obras publicadas no Brasil e no exterior, como O terror e a dádiva (2004), De corpos e travessias (2014) e A Invenção do Impossível: Gênero e as poéticas de abertura (2023).
Aula inaugural
Durante a passagem por Cuiabá, o professor também ministrará a aula inaugural do semestre no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFMT, na quarta-feira (13.08). Com o tema ‘Desenfeitiçar a medicina: seus feitiços e os contrafeitiços do viver’, a aula propõe repensar a medicina como um “campo de convivência entre diferentes saberes e modos de cura”, defendendo práticas mais plurais e inclusivas. Inspirado na filósofa Isabelle Stengers, ele critica a forma como a medicina atual funciona como “máquina produtora de realidades” que define normas e exclui conhecimentos alternativos.
























