Muitos professores que começaram na rede privada e depois seguiram para o serviço público acabam esbarrando na mesma dúvida. O que fazer com o tempo de contribuição do INSS? Juntar tudo no serviço público para tentar uma aposentadoria mais cedo ou manter separado e construir duas aposentadorias no futuro? Essa pergunta aparece quando a vida profissional já tem história, ritmo e marcas que só quem vive a sala de aula entende.
Antes de tomar qualquer rumo, existe um detalhe que muda o cenário inteiro. É importante conferir se o tempo no INSS também foi tempo de magistério. Quando esse período foi vivido dentro da escola, com rotina de aula, planejamento e alunos, ele pode ajudar diretamente na aposentadoria especial do professor no serviço público. Se não foi tempo de magistério, ele entra apenas como tempo comum e a estratégia muda de figura.
Averbar o tempo do INSS é como juntar capítulos de um mesmo livro em um só volume. O professor leva esse período para o serviço público e deixa de utilizá-lo para uma futura aposentadoria no INSS. Essa escolha pode encurtar bastante o caminho para quem já está quase completando o tempo necessário no magistério. Em algumas situações, a aposentadoria no serviço público acaba trazendo um benefício melhor, o que dá um pouco mais de fôlego para o futuro.
Por outro lado, manter cada regime no seu lugar pode ser uma boa saída. Assim, o professor preserva a chance de ter duas aposentadorias, uma pelo INSS e outra pelo Estado. Mesmo que a aposentadoria do INSS seja menor, ela soma com o benefício do serviço público e ajuda a reforçar a renda. Para quem já está perto da idade mínima do INSS, essa alternativa costuma encaixar bem.
No fim, essa escolha depende do que o professor quer para a própria vida daqui para frente. Alguns preferem encerrar mais cedo a jornada no magistério. Outros pensam no futuro com calma e apostam na segurança de duas rendas. Cada caso tem sua história, seu passo, seu contexto. E o tempo trabalhado no INSS, sendo ou não de magistério, pesa muito nessa balança.
O essencial é olhar tudo com atenção e clareza. Quando o professor entende o que já contribuiu e o que cada caminho pode trazer, fica muito mais fácil decidir com tranquilidade. E buscar orientação especializada, quando necessário, evita tropeços e garante que a escolha final esteja alinhada com anos de dedicação, esforço e compromisso com a educação.
Bruna Andrade é advogada especialista em Previdência

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

























