O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira questiona se as escolas militares, que avançam em Mato Grosso, não estariam ajudando a manter uma cultura machista entre estudantes e, consequentemente, na sociedade. Durante uma entrevista em que falava sobre uma palestra do Ministério Público Estadual que vai abordar questões de gênero, José Antônio Borges ressaltou que a cultura do machismo precisa mudar, mas ainda sofre muitas resistências em diversos setores.
“A militarização das escolas não é um modelo para perpetuar a misoginia?”, questionou Borges. “Pelo histórico que se tem dos militares nas escolas, com uma rigidez. Já há estudos universitários tratando disso, pelas regras que as meninas devem se portar dentro das escolas. Atrás disso há um padrão cultural da obediência das mulheres, da forma dela se vestir”, completou, em entrevista nesta terça-feira (02.12) ao Jornal do Meio-Dia, da TV Vila Real.
José Antônio Borges falava sobre a palestra Coisa de Menino: Uma conversa sobre masculinidade, misoginia e paternidade, promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre como a construção social dos papeis de gênero influencia comportamentos e perpetua desigualdades. A palestra será realizada na quarta-feira (03.12), das 8h30 às 10h30, e conduzida pela psicanalista Maria Homem, que também é professora e escritora, pós-graduada em Psicanálise e Estética pela Universidade de Paris VIII / CollègeInternational de Philosophie e pela USP.
“Mato Grosso lidera os índices de feminicídio no país, o que evidencia a urgência de enfrentar a misoginia como um problema estrutural. Este evento é uma oportunidade para ampliar o debate e promover mudanças que ajudem a romper ciclos de violência contra as mulheres”, ressaltou o procurador de Justiça titular da Especializada, José Antônio Borges Pereira.
Palestra gratuita
A iniciativa da palestra é da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.
Durante a palestra, Maria Homem abordará a misoginia como questão estrutural na cultura brasileira, analisando como práticas e discursos perpetuam a violência contra as mulheres. Também discutirá a construção da masculinidade e da feminilidade e seus impactos na vida das mulheres no Brasil
O evento será transmitido virtualmente pela Plataforma Microsoft Teams e pelo canal oficial do MPMT no YouTube, e contará com a participação da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar, como debatedora. As vagas são ilimitadas, e os participantes que obtiverem 75% de presença receberão certificado com carga horária de 2 horas/aula.
























