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DEMOCRACIA E COTIDIANO

Como os ricos de direita tentam tomar os votos dos pobres de direita: pelo medo

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(Foto: Reprodução)

Cena do cotidiano. Um senhor branco, no supermercado, passando as compras de dois carrinhos cheios de comida, faz um discurso dos ricos de direita para tomar os votos da mulher que trabalha de caixa e de dois jovens que trabalham como atendentes. A estratégia é da emoção nua e crua: usa o medo para tentar tomar os votos da esquerda, especificamente tomar o voto em Lula, tomar o voto do PT.

Esta é a cena que testemunhei neste domingo (01/02) pela manhã em um grande supermercado de Cuiabá. Alguns pontos da conversa entre o homem branco rico de direita e os três trabalhadores do supermercado.

Homem branco rico de direita: “A esquerda não pode ganhar de novo. Lula vai transformar o Brasil numa Venezuela. Eu tenho orgulho: nunca na minha vida votei na esquerda. Se a esquerda ganhar de novo, eu vou embora do Brasil. Eu posso. E vocês? O que vocês vão fazer”?

A caixa do supermercado: “Para onde o senhor vai”?

Homem branco rico de direita: “Vou para os Estados Unidos ou para a Europa”.

Ao fim da peroração do homem branco rico da direita, depois que ele sai com dois carrinhos abarrotados de comida, conduzidos pelos dois jovens atendentes de caixa, a mulher comenta com uma colega, outra caixa do supermercado: “É assim que os ricos tentam tomar os votos dos pobres”!

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A caixa fez a descrição do homem rico de direita, a descrição de um perfil que os trabalhadores dos supermercados fazem de cada consumidor: pela percepção de gestos e compras que cada um de nós pode fazer: “Este senhor vem toda a semana aqui, faz compras sempre de três mil reais e vem acompanhado de seguranças. Quem é ele para saber o que interessa aos pobres”?

Um terceiro jovem atendente, que ouviu o desabafo da mulher do caixa, fez o seu resumo da polarização entre esquerda e extrema direita: “Bolsonaro não fez nada e é ladrão. Lula também é ladrão, mas faz pelos pobres”.

Resumindo e baralhando, conforme expressão portuguesa:

– Os pobres estão sujeito a um discurso da extrema direita, seja na comunicação digital ou na comunicação face a face, onde a disputa é pela atenção e pela emoção. A ideia torta, por exemplo, de que o Brasil vai virar uma Venezuela assenta-se na emoção, no medo da perda da liberdade. Quando mais afastado do fato e mais centrado na emoção, o discurso radical tenta capturar corações e almas das pessoas mais simples, sujeitas à comunicação da extrema direita, repetida pela direita submissa.

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– A fala “Lula ladrão” é a cristalização dos efeitos  da armadilha ética e moral que o PT caiu desde o Mensalão, passando pela Lavajato, e que até hoje não deu conta de fazer um contraponto real e eficiente.

A democracia comunicada, aos moldes do filósofo John Dewey, conforme estudos que desenvolvo ao lado do brilhante professor doutor Gil Ferreira, de Coimbra, assenta-se na circulação contínua de significados entre cidadãos, na cooperação ativa e no reconhecimento da pluralidade. É, em última instância, a prática cotidiana. da comunicação livre que dá consistência à vida em comum. “A criatividade, a imaginação e a crítica reflexiva são instrumentos indispensáveis para combater patologias democráticas como a manipulação mediática, o dogmatismo ou a exclusão estrutural”, destacam Ferreira e Oliveira em artigo ainda inédito.

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.

 

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