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DANÇA DAS ALIANÇAS ELEITORAIS

Acordão de políticos, sem combinar com eleitor, é tiro no pé

A dança das alianças eleitorais articulada nos bastidores por algumas lideranças de Mato Grosso parece ser um bom negócio num primeiro momento, mas pode resultar em problemas reais na hora de apresentar o acordão para os eleitores. A história da política no estado ensina que estes arranjos muitas vezes levam a uma fragorosa derrota nas urnas.

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(Foto: Reprodução)

Em 1998, a história política de Mato Grosso registra e ensina. O então candidato ao governo Júlio Campos fez uma aliança com um velho adversário, Carlos Bezerra. A aliança eleitoral dos coronéis era a fórmula para derrotar o então governador Dante de Oliveira, candidato à reeleição. O acordão foi reprovado pelos eleitores. Dante ganhou um mote eleitoral poderoso, usando a imagem bíblica de que “a montanha pariu um rato”. Ou seja, foi a fórmula certa de um tiro no pé nas pretensões de Júlio Campos de retomar o poder do governo estadual.

A história se repete. Lideranças políticas atuais de Mato Grosso ensaiam passos de dança de alianças eleitorais sem combinar com o eleitor. Um risco de tragédia anunciada. Vamos a dois notórios exemplos de alianças ensaiadas e seus problemas de fato:

WELLINGTON & JAYME

O senador Jayme Campos (União) anunciou que fez um “acordo de amigos” com o senador Wellington Fagundes (PL). Quem estiver melhor nas pesquisas recebe o apoio do outro. A reação foi imediata, e já de dentro da cozinha do PL. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), criticou a informação divulgada pelo senador Jayme Campos (União Brasil) de que teria firmado um suposto acordo com o senador Wellington Fagundes (PL) para apoio nas eleições ao Governo do Estado em 2026.

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Moretti afirmou que, caso a aliança se concretize, a decisão representaria um “tiro no pé” de Wellington e que ela própria poderia retirar o apoio ao colega de partido para não ter de subir no mesmo palanque dos Campos, seus principais rivais políticos em Várzea Grande.

“É complicado para mim. Eu acho que o Wellington está dando um tiro no pé, mas a decisão é dele, né? O candidato é ele”, disse a prefeita à imprensa na manhã desta quarta-feira (28), conforme registrou o site Gazeta Digital.

“Hoje eu estaria muito desconfortável [em apoiá-lo], com a possibilidade, inclusive, de não o apoiar. E falo isso porque não dá para subir no palanque com os Campos”, acrescentou.

OTAVIANO & JANAÍNA

Articuladores poderosos, que trabalham diariamente contra a candidatura da deputada Janaína Riva ao Senado, bolam arranjos que são um tiro no pé. Uma das ideias é convencer a deputada recuar da sua candidatura de senadora para ser a vice do candidato a governador Otaviano Pivetta (Republicanos), atual vice-governador de Mauro Mendes (União).

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Entre Otaviano e Janaína há 100 mil servidores públicos. A deputada faz um enfrentamento corajoso contra a política de desprezo do governador em relação aos servidores públicos. Como ela explicaria aos servidores que agora vai estar junto ao candidato de Mauro Mendes?

Entre Otaviano e Janaína há todas as mulheres de Mato Grosso, que vivem o medo da escalada da violência no estado campeão de feminicídio. Otaviano tem um histórico de problema pessoal de violência doméstica. Como Janaína, líder hoje da política de apoio às mulheres, ficaria no palanque ao lado de Otaviano?

Ou seja, a dança das alianças eleitorais parece ser um bom negócio num primeiro momento, mas pode resultar em problemas reais na hora de apresentar o acordão para os eleitores.

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