O empresário Joci Piccini, ex-sócio da família do ex-governador Mauro Mendes (União), deve receber R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para construir uma usina de etanol, conforme revelaram os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. O grupo RRP Energia, que pertence a Joci Piccini, conseguiu aprovar o empréstimo com dinheiro público, a juros baixos, por meio do Fundo Clima, que financia a transição energética.
A RRP Energia tem Joci Picini como sócio e faz parte do grupo empresarial da família Piccini. Uma das empresas do grupo, a Parecis Bionergia, teve em seu quadro societário fundos de investimentos como o 5M Capital FI em Participações Empresas Emergentes e o London Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégica.
O fundo 5M Capital investe em empresas da família do governador Mauro Mendes, como H2M Geração de Energia, São Vicente Energia. O fundo também investe em empresas do grupo Engeglobal, ligadas ao secretário da Casa Civil, Fábio Garcia, como a Fênix Complexo Industrial, localizada em Alto Araguaia.
A empresa de Piccini também está ligada ao governador através do London Fundo de Investimentos, que foi criado em agosto de 2024 como Royal Capital Fundo de Investimento em Participações Multiestratégica. O fundo tem nome quase idêntico ao Royal Capital Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. O fundo Royal Capital recebeu R$ 154 milhões dos R$ 308 milhões que foram pagos pelo Governo do Estado a dois fundos. O segundo fundo de investimento que recebeu os demais R$ 154 milhões foi o Lotte Word Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios, que tem como principal cotista o empresário Robério Garcia, pai de Fábio Garcia.

Investimentos do BNDES
O financiamento, conforme informações obtidas pela Folha, foi fechado com a empresa RRP Energia e representa mais de 60% do investimento previsto na planta.
A unidade poderá produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano, ou 452 milhões de litros de etanol anidro, o que fará de Mato Grosso um dos principais polos nacionais de biocombustíveis à base de milho.
Os recursos têm origem no Fundo Clima, instrumento federal voltado ao financiamento de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa, e na linha BNDES Finem, usada para apoiar investimentos de grande porte com crédito de longo prazo.
Na prática, trata-se de um empréstimo, não de subsídio, no qual o banco entra como principal financiador. O uso do Fundo Clima indica o enquadramento do projeto nas políticas de transição energética, porque o etanol é considerado combustível renovável e contribui para substituir fontes fósseis.
“Essa iniciativa está alinhada aos objetivos da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, contribuindo com as cadeias de biocombustíveis para a transição energética e para a descarbonização, evitando a emissão de 309 mil toneladas de CO₂-equivalente ao ano”, disse à Folha o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.





















