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MATO GROSSO QUE FERE E MATA

A violência doméstica contra a mulher é caso de polícia e de política; veja o vídeo

Nestas eleições em Mato Grosso, as candidatas e os candidatos têm a obrigação moral e política de debater claramente esse assunto de interesse das mulheres e de interesse dos homens que respeitam as mulheres: mães, filhas, irmãs e esposas. Não há obra de asfalto que seja mais importante do que a vida das mulheres. O estado vai escolher qual o tamanho que sairá desta eleição, apequenado e acovardado, ou maior, movido pela coragem para mudar esse contexto de violência e matança de mulheres.

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A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) denunciou publicamente o seu caso de violência doméstica sofrida durante relacionamento com um juiz na Paraíba. Ela colocou no centro do debate político nacional essa pauta que afeta diretamente as mulheres. Em Mato Grosso, estado campeão de feminicídios, a violência doméstica é caso de polícia e de política. É pauta de interesse público. Decididamente não pode ser jogada para baixo do tapete e muito menos sofrer qualquer forma de censura pelo poder econômico e político.

A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) revelou ter sido vítima de violência doméstica enquanto mantinha um relacionamento com um juiz daquele estado, em João Pessoa, durante seminário sobre enfrentamento à violência contra a mulher promovido pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). A parlamentar descreveu episódios de agressões físicas e psicológicas, incluindo tentativa de sufocamento, e afirmou que o agressor mantinha uma imagem pública de cordialidade contrastante com o comportamento privado. Veja o vídeo ao final da matéria.

“Enquanto o senhor estava no seu apartamento, eu muitas vezes estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada”, contou a senadora, que também atribuiu a permanência na relação à manipulação psicológica que a levava a se sentir culpada pelas agressões. Daniella Ribeiro ainda relatou ter sido afastada de familiares e amigos devido a ciúmes excessivos, e fez o depoimento diante de autoridades do Judiciário e representantes institucionais.

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FATORES DEVASTADORES

A questão da crueldade na violência doméstica é profunda porque não se limita à dor física; ela se manifesta em múltiplas camadas que buscam a anulação da identidade da mulher.

Embora cada caso seja único, especialistas em psicologia forense e direitos humanos frequentemente apontam alguns fatores como os mais devastadores:

  1. A Quebra da Confiança (Traição do Afeto)

Diferente de uma violência cometida por um estranho, no ambiente doméstico o agressor é alguém em quem a vítima depositou amor e confiança. A crueldade reside no fato de o “porto seguro” se tornar a fonte de perigo. Essa ambivalência emocional cria um estado de confusão mental que dificulta a percepção do abuso.

  1. O Isolamento Progressivo

Uma das táticas mais cruéis é o afastamento sistemático da mulher de sua rede de apoio (família, amigos e trabalho). Ao invalidar as amizades dela ou causar conflitos familiares, o agressor garante que, quando a violência física ocorrer, ela não tenha a quem recorrer, sentindo-se completamente sozinha no mundo.

  1. A Tortura Psicológica e o Gaslighting

Muitas mulheres relatam que as feridas emocionais demoram mais a cicatrizar que as físicas. O uso do gaslighting (fazer a mulher duvidar da própria sanidade ou percepção da realidade) é uma forma requintada de crueldade. O agressor a convence de que ela é a culpada pelas agressões, destruindo sua autoestima até que ela acredite que não merece nada melhor.

  1. O Impacto nos Filhos
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Para muitas mães, a maior crueldade é o uso dos filhos como instrumento de manipulação. O agressor pode ameaçar tirar a guarda das crianças ou agredi-las psicologicamente para atingir a mulher, criando um ciclo de trauma intergeracional que é extremamente difícil de romper.

  1. A Invisibilidade e o Julgamento Social

Muitas vezes, a crueldade é amplificada pelo sistema e pela sociedade. Quando a vítima decide falar e encontra descrédito, julgamento (“por que ela não foi embora?”) ou morosidade institucional, ela sofre a chamada revitimização. O silêncio imposto pelo medo da vergonha pública é uma prisão invisível.

No Brasil, casos de violência doméstica envolvendo figuras públicas costumam ganhar enorme repercussão não apenas pela gravidade das agressões, mas pelo uso do poder político para intimidar vítimas ou silenciar denúncias. Mato Grosso tem o desafio moral e político de debater claramente esse assunto de interesse das mulheres.

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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