
O prefeito Abilio Brunini (PL), chamado pelos adversários e parte da população de Cuiabá de “Prefeito Tik Tok”, vai ter que dar um tempo no seu passatempo favorito, fazer vídeos para os seus seguidores nas redes sociais. Precisará se ocupar de dar as devidas explicações sobre o escândalo que estourou na secretaria de educação da prefeitura. A sua gestão passou a ser alvo de investigação pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), pelo Ministério Público do Estado (MPE) e, talvez, pela Câmara Municipal de Cuiabá, se os vereadores não se apequenarem e tiverem o mínimo de respeito pelos cuiabanos. Por enquanto, a gestão de Abilio ainda não é alvo de investigação policial.
TCE
A atuação mais imediata e contundente foi do presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo. A apuração refere-se às denúncias de desvio de dinheiro da secretaria municipal de educação na gestão de Abilio. Segundo o jornalista Aparecido Carmo, o conselheiro Sergio Ricardo, cobrou também explicações de Abilio, sobre a contratação do ex-secretário de Educação, Amauri Monge. A fala foi registrada durante a vistoria no Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação nesta sexta-feira (29). Sergio acusou o prefeito de ser “gentil”. E fez uma comparação com a gestão do Banco Master, liquidado pelo Banco Central devido a um esquema de fraudes.
“Eu vejo que você está sendo gentil com o secretário, está isentando de toda a responsabilidade”, disse ao prefeito após ele não nomear o ex-secretário, Amauri Monge, em uma resposta que deu a questionamento feito no local. “Você não disse ainda quem você está denunciando, você não citou o nome ainda”, confrontou.
Abilio admitiu que houve aplicação equivocada dos recursos públicos nesse período, mas ponderou que os órgãos de controle é que definirão os próximos passos.
“Isso é gestão equivocada? Vorcaro também fez gestão equivocada no Banco Master. Super equivocada a gestão do Banco Master”, respondeu o presidente do TCE.
Durante a vistoria, o presidente do TCE fez questionamentos também sobre como Amauri Monge foi contratado para o cargo de secretário. O prefeito disse que a escolha não foi política, mas técnica, e que o fator determinante foi a experiência de Monge na área.
Sim. Embora o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), tenha negado formalmente que a escolha de Amauri Monge Fernandes para a Secretaria Municipal de Educação fosse uma indicação política, os bastidores políticos de Mato Grosso apontam que ele era aliado do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
O governador Otaviano Pivetta lavou as mãos em relação ao ex-secretário Amauri Monge. “Quem errou que pague”, disse Pivetta, livrando-se do seu ex-auxiliar que foi nomeado por Abilio.
MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) irá investigar a suspeita de rombo de R$ 80 milhões na secretaria de educação de Cuiabá. A investigação será conduzida pelo Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.
A promotora de Justiça Lindinalva Corrêa solicitou documentos, informações e esclarecimentos considerados necessários para o andamento das apurações. Não foram divulgados detalhes sobre a investigação, mas o órgão destacou que há necessidade de esclarecimento rápido dos fatos, conforme registro do G1 MT.
CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ
A vereadora Maysa Leão protocolou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades e desvios de cerca de R$ 80 milhões em contratos da Secretaria Municipal de Educação entre 2021 e 2026. A iniciativa baseou-se em denúncias feitas pelo prefeito Abilio Brunini envolvendo compras de livros didáticos, uniformes e kits pedagógicos.
O foco da investigação é apurar possíveis superfaturamentos, sobrepreços, direcionamentos e inexecuções contratuais nos sistemas de ensino e materiais escolares. Um pedido semelhante foi apresentado pelo vereador Demilson Nogueira. No entanto, o requerimento de Maysa atingiu o número mínimo de assinaturas exigidas (nove) com vantagem de cerca de 40 segundos, o que levou a Procuradoria Legislativa a analisar qual priorizar.
A instalação efetiva da CPI depende da tramitação interna na Câmara Municipal e do esvaziamento do limite regimental de cinco CPIs em andamento. A conferir se os vereadores vão investigar a graves denúncias que envolvem a gestão de Abilio ou vão fingir que o escândalo municipal, dentro da prefeitura, não é com eles.
CRIME AMBIENTAL
O TCE, o MPE e, quem sabe, a Câmara Municipal, devem aproveitar para apurar a responsabilidade por um grave crime ambiental cometido pela gestão do prefeito Abilio Brunini. Os cortes recentes de árvores na Rua Baltazar Navarros (Bairro Bandeirantes) e no entorno da obra do Restaurante Popular, que geraram revolta da população de Cuiabá. Uma verdadeira devastação.
Deixar que a “investigação” fique por conta só da prefeitura, para apurar a conduta do servidor responsável pelo crime ambiental, é um acinte com os cuiabanos.
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