Após áudios apócrifos vazados serem atribuídos à prefeita Flávia Moretti (PL), a assessoria de imprensa da Prefeitura de Várzea Grande afirmou que a prefeita encontrou escutas ilegais em seu gabinete e acionou a Polícia Civil por meio de boletim de ocorrência. A informação foi confirmada pela assessoria na terça-feira (14.04).
Nos áudios, uma voz semelhante à de Moretti xinga vereadores, sugere ter comprado apoio de parlamentares municipais e declara que os vereadores são “covardes”. As gravações também mostram o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), sendo chamado de “troglodita” e “criminoso”. A reportagem não conseguiu confirmar a autenticidade e nem o contexto em que os áudios foram gravados e por isso não vai reproduzi-los.
“[A prefeita] registrou boletim de ocorrência após a identificação de possíveis escutas em sua sala, material que foi recolhido e está sob apuração das autoridades competentes”, diz a nota da Prefeitura de Várzea Grande sobre o ocorrido.
A Prefeitura não informou detalhes sobre a investigação, como data em que o material foi encontrado ou qual material exatamente foi localizado no gabinete da prefeita. Cópia do boletim de ocorrência também não foi disponibilizado.
Política conturbada em VG
A investigação sobre escutas ilegais no gabinete da prefeita marca mais um episódio conturbado na política da cidade industrial. No capítulo mais recente, o vice-prefeito Tião da Zaeli renunciou ao cargo, alegando divergências com Moretti.
Em outro momento, a prefeita nomeou o ex-secretário de Educação de Kalil Baracat (MDB), Silvio Fidelis, para ocupar o cargo de secretário de Governo, abrindo divergências em sua base aliada, mas se aproximando de vereadores que anteriormente eram de oposição. Silvio foi denunciado pela próprio prefeita, por sobrepreço e fraude em licitação, quando ela assumiu o cargo.
CPI frustrada e nomeação de irmã de vereador
Moretti conseguiu escapar de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara graças à articulação política com vereadores. O relator da CPI, vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos), que havia dito à imprensa que houve crime na disponibilização de uniformes escolares com o slogan de campanha da prefeita, mudou de ideia durante a elaboração do relatório final e livrou a prefeita da apuração.
O relatório sequer foi votado pelos vereadores de Várzea Grande e foi encaminhado, sem votação final, ao Ministério Público pelo presidente Wanderley Cerqueira.
Pouco tempo depois, Moretti nomeou Maria Fernanda Figueiredo, irmã de Carlinhos, para chefiar a Secretaria de Educação. Maria também é irmã de Dito Loro, ex-secretário de Governo da gestão Kalil Baracat.






















