O diabo está sentado em cima dos detalhes. O simpático bate-boca entre o deputado Eduardo Botelho (MDB) e o ex-governador Mauro Mendes (União), de acusações sobre reis e bobos da corte, resultou em um fato relevante de interesse público: a sonegação de explicações para o eleitor de Cuiabá e Mato Grosso. Qualquer político candidato a qualquer cargo tem que dar explicações sobre malfeitos ou sobre denúncias que atingem sua gestão ou sua biografia pessoal.
Mauro Mendes disse, e isso foi pouco reverberado na mídia e pelos adversários, que Botelho fracassou na eleição de prefeito de Cuiabá em 2024 também porque não explicou devidamente os negócios que a família dele tinha com a prefeitura, em especial a exploração do transporte coletivo e a exploração de obras de asfalto. Ou seja, Botelho teria sonegado informações caras ao eleitor cuiabano, que sem as devidas explicações do candidato julgou que ele não merecia o seu voto.
Mauro Mendes hoje faz o que criticou em Botelho. Sistematicamente, Mendes foge do debate público e das devidas explicações sobre a série de denúncias de escândalos que envolvem seu governo. E pior do que Eduardo Botelho, Mauro Mendes tenta calar jornalistas e adversários políticos com a censura via Justiça Eleitoral. Além de sonegar as devidas explicações, o ex-governador tenta fazer a “campanha da mordaça”, com ações em cima de ações para fazer a justiça censurar o debate democrático de interesse público.
Mauro Mendes, na verdade, parece realmente acreditar que o eleitor de Mato Grosso é o bobo da corte, que será ludibriado por esta manobra digna de verdadeiro imperador que manda e desmanda no estado. Tentar calar o cidadão é o sintoma da suspeita de que há muito a ser explicado.

Para quantificar por “núcleos de crise da falta de explicações”, teríamos hoje pelo menos 5 grandes eixos de denúncias de corrupção, fraude e fiasco:
Cartel da Saúde (Op. Espelho e desdobramentos).
Gestão Fazendária (Caso Oi/Créditos Tributários).
Manipulação de Dados Educacionais (Suspeita de fraude no IDEB).
Obras de Infraestrutura (Suspeitas de favorecimento em licitações).
Segurança Pública (Questionamentos sobre a redução do efetivo policial e o avanço das facções, apesar do discurso de “mão dura”).
A estratégia política sob o comando dos seus advogados para lidar com esse volume de denúncias é instituir a lei da mordaça, a censura total do debate democrático. De outro lado, o ex-governador acha que o seu discurso de entrega de resultados é suficiente para encarar de frente o eleitor. Confia na “anestesia por obras”: o volume de asfalto e entregas físicas, usado para abafar o ruído das investigações ainda em curso, tentando transformar as denúncias em mera “picuinha política” da oposição.






















