O avanço dos direitos trabalhistas no Brasil é um reflexo direto das transformações sociais e econômicas que o país atravessou desde o início do século XX. A partir de 1925 (15 dias de férias remuneradas), com a intensificação das lutas operárias e a posterior criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943, o trabalhador brasileiro passou a contar com garantias mínimas de dignidade, como férias, descanso semanal e regulamentação da jornada. Esse processo, ainda que marcado por tensões entre capital e trabalho, foi fundamental para estruturar uma sociedade mais justa e equilibrada.
Entretanto, a manutenção da escala 6 x 1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — sempre representou um desafio para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Essa lógica, herdada de um modelo industrial rígido, impõe desgaste físico e mental, reduz o tempo de convivência familiar e limita o acesso ao lazer e à educação. Além disso, perpetua uma visão de que o trabalhador deve estar quase sempre disponível, o que enfraquece sua autonomia e dificulta a construção de uma vida plena fora do ambiente laboral.
Por outro lado, o provável fim da escala 6 x 1 traz consigo vantagens significativas. A ampliação dos dias de descanso pode favorecer a produtividade, já que trabalhadores mais descansados tendem a ser mais criativos e eficientes. Também abre espaço para maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, fortalecendo vínculos familiares e comunitários. Além disso, representa um avanço simbólico: a valorização do tempo livre como direito fundamental, e não como concessão, reforçando a ideia de que o trabalho deve servir à vida, e não o contrário.
A trajetória dos direitos trabalhistas no Brasil mostra que cada conquista foi fruto de luta, resistência e negociação. O que almeja a classe laboral e seus sindicatos, já é realidade em diversos países: Islândia (2015 / 2019), 35 ou 36 horas; França (2000), 35 horas; Bélgica (2022) 40h / 4 dias; Portugal (1996), 40h; Holanda (2000), 32h; Uruguai (1915), 40h, entre muitos outros. O fim da escala 6 x 1, apesar de defendido com unhas e dentes pelo empresariado e seus asseclas, está com os dias contados no Brasil e isso graças à visão de mundo que privilegia o ser humano e vez do capital; aliás, Marx, em “O Capital” (1867), já defendia a redução da jornada de trabalho, dando o Direito à Voz ao trabalhador: “Exijo a jornada normal, pois exijo o valor de minha mercadoria como qualquer outro vendedor”. Chegamos ao século XXI com a classe trabalhadora sendo submetida a jornadas de trabalho extenuantes e o patronato, como em 1925, quando dos 15 dias de férias remuneradas, reagindo com a mesma ignota frase: “Se acabar a jornada 6 x 1, vamos quebrar”. Não quebraram com outras conquistas dos movimentos dos trabalhadores, pois a “mais-valia” continua perversa no Brasil contemporâneo.
Sérgio Cintra é professor de Linguagens e servidor do TCE-MT

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online























