Pesquisar
Close this search box.
CARTÓRIOS REVELAM 

O registro da cultura machista em Mato Grosso: mulheres entregues à própria sorte 

Publicidade

Mato Grosso é, tristemente, o estado campeão de matança de mulheres e de violência doméstica. O governo Mauro Mendes (União) tem a parte que lhe cabe nesta tragédia, seja pela omissão e pela falta de políticas públicas eficientes na área social e na segurança pública. É fato. A cultura do machismo se fortaleceu impune nos oito anos de Mendes no governo do estado.

Matéria da jornalista Dantielle Venturini, do site Gazeta Digital, revela um número preocupante como reflexo dessa cultura machista, que tem também a faceta de pais ausentes. São mulheres entregues à própria sorte, sem um apoio efetivo de políticas públicas consistentes e reais. O grande número de crianças registradas sem o nome do pai também é o registro da cultura machista. A matéria de Dantielle Venturini, sobre esse desajuste social, revelado em números, que afeta as mulheres/mães:

Mais de 25,9 mil crianças foram registradas sem o nome do pai em Mato Grosso em cinco anos, período em que os casos cresceram 40,4%, saindo de 3.311, em 2020, para 4.651, em 2025, consolidando a ausência paterna como uma realidade persistente no Estado. Em 2025, quando o número atingiu o pico da série, foram aproximadamente 13 crianças registradas por dia só com o nome da mãe. Como parâmetro, esse volume representa 7,53% de todos os nascidos vivos em cinco anos: 25.923 registros sem o nome do pai diante de 344.334 nascimentos.

Leia Também:  Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 70 milhões

 Os dados são da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso (Anoreg/MT). Em Cuiabá, o avanço é ainda mais acelerado. A capital acumulou 5.603 registros no mesmo intervalo de tempo, com alta de 90,3%, ao saltar de 600 para 1.142 casos entre 2020 e 2025. Em média, são cerca de três crianças registradas por dia sem o nome do pai, indicando maior concentração do problema em áreas urbanas. Na prática, por trás dos números, estão histórias que começam já marcadas pela ausência.

 É o caso de Ana Paula Santos, 27, moradora de Cuiabá, mãe do pequeno Davi, de 2 anos, registrado apenas com o nome dela, em 2024. Ela conta que, durante a gestação, o pai da criança se afastou e não participou de nenhuma etapa do pré-natal. “Quando descobri a gravidez, ele até disse que ia assumir, mas depois sumiu. Não ajudou em nada, nem durante a gravidez, nem depois que o Davi nasceu”, relata.

Sem o reconhecimento paterno, Ana Paula precisou arcar sozinha com todas as despesas, desde enxoval até consultas e alimentação. Hoje, divide a rotina entre o trabalho informal e os cuidados com o filho.

 “É tudo comigo. Escola, médico, comida, roupa. A gente dá conta porque precisa, mas não é fácil”, afirma. Histórias como essa se repetem em diferentes regiões do estado. Em Várzea Grande, a atendente Juliana Ferreira, 31, vive realidade semelhante. Mãe de Maria Eduarda, de 1 ano, ela também registrou a filha sem o nome do pai após o rompimento ainda na gestação.

Leia Também:  Apostas não financeiras em plataformas de previsões são proibidas

 “Ele acompanhou no começo, mas depois que a gente se separou, desapareceu. Quando fui registrar, já sabia que seria só no meu nome”, conta. Juliana diz que tentou contato para o reconhecimento da criança, mas não teve retorno. “A gente cansa de insistir. Agora procurei a Justiça e vamos aguardar”, afirma.

 Thaylla Amaral Silva, 33, lutou pelo direito da filha, Anna Beatriz, hoje com 14 anos, que só foi reconhecido após oito anos. Quando a menina nasceu, Thaylla tinha 18 anos e, mesmo sabendo quem era o pai, ele se recusou a registrá-la. A tentativa pela Defensoria Pública não avançou e o caso ficou parado por anos. “Não era só um nome no papel. Era sobre identidade, dignidade. Minha filha merecia isso”, afirma.

 A virada veio quando ela buscou um advogado particular. Após exame de DNA, a paternidade foi reconhecida em 2019. “Demora, cansa, mas vale a pena. É um direito da criança”.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza