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Valeu a pena!

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Há 32 dias, um amigo passou uma mensagem à minha companheira, perguntando se eu aceitaria ser assessor de imprensa de uma deputada estadual indígena, que acabara de assumir por 30 dias, a vaga de seu correligionário Lúdio Cabral (PT). Aceitando, deveria seguir direto para ALMT. Aposentado, atuando como frila, pensei, por que não? O único problema naquele momento, foi estar no trânsito, no horário de pico, e com outro compromisso. Consegui adiar a ida para o dia seguinte, encarei a burocracia (um catatau de documentos e declarações, a serem preenchidos e assinados, agora digitalmente, me tomou quase o dia inteiro), e, com certeza, não me arrependi.

Por essas aleatoriedades da vida, participei (e documentei em notícias) de um momento histórico, não apenas estadual como nacional. Eliane Xunakalo, do povo Bakairi, da Terra Indígena de Santana, localizada no município de Nobres, foi a primeira parlamentar indígena a assumir uma cadeira no parlamento estadual brasileiro. Na Câmara dos Deputados, há três representantes indígenas mulheres (duas do PSOL e uma do PT) e um homem, também do PT. A quinta parlamentar, eleita em 2022, Silvia Waiãpi, do PL/AP, foi cassada.

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Com voz baixa, porém convincente (como definiu uma de suas entrevistadoras), aliada à sua opção pelo diálogo, conseguiu passar seu recado. Para quem tem uma visão estereotipada dos povos originários, é bom avisar que sua experiência se mescla no conhecimento recebido de seus ancestrais à sua formação acadêmica. É bacharel em Direito, com especialização em Direito Administrativo, Administração Pública e Direitos Indígenas e, pela segunda vez consecutiva, presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoint). Também é parte da Bancada do Cocar, grupo atuante na defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas. “Não sou apenas a Eliane, sou a voz dos 46 povos e mais de 60 mil indígenas de Mato Grosso”, se define, embora suas propostas legislativas tenham se estendido a toda a sociedade.

Há vários exemplos, como o substitutivo integral apresentado a um projeto destinando emendas parlamentares a clubes de tiro, alterado para “criação de casas de atendimento e cursos profissionalizantes a mulheres vítimas de violência”; apresentação do relatório final sobre Feminicídio no Estado, trabalho liderado pela colega Edna Sampaio; maior transparência na Política Estadual de Regulação do SUS, com atualização cadastral dos pacientes e divulgação, especialmente de cirurgias eletivas, da lista de espera, para que o eleito possa se preparar com tranquilidade, ao invés de ser avisado quase em cima da hora, entre outras. E, por considerar coletivo o seu mandato, reivindica, para seus parentes indígenas, representação no Conselho Estadual do Meio Ambiente, reserva em concursos e empregos públicos estaduais e o reconhecimento dos agentes ambientais indígenas.

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Por isso, posso dizer, valeu a pena!

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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