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ARTIGO

Dia Internacional da Reciclagem

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Reciclar é preciso, é importante, mas para melhorar o nosso cuidado com o meio ambiente, com a ecologia integral, com o planeta, Nossa “Casa Comum”, só isso não basta; é preciso ir mais a fundo, mudar radicalmente os sistemas produtivos/modelos econômicos que estimulam, em busca do lucro, um consumismo e desperdício exagerado. É preciso também despertar a consciência ecológica nos consumidores para que mudem seus hábitos e estilos de vida tão perniciosos ao planeta.

Assim, os Dias internacionais, mundiais e nacionais de “lixo zero”, da reciclagem, da sobrecarga de plásticos ou sobrecarga da terra, da economia circular ou dia internacional da circularidade, o Dia mundial do meio ambiente, Dia Internacional do Desperdício Zero de alimentos, enfim, todos esses momentos são importantes para difundir alertas sobre a importância de um melhor cuidado com o Planeta, se desejamos reduzir os impactos/consequências da crise climática.

O DIA INTERNACIONAL DA RECICLAGEM, que é celebrado em diversos países, inclusive no Brasil, em 17 de Maio anualmente, foi instituído pela UNESCO com o objetivo de conscientizar governos, empresas e a sociedade sobre a importância do descarte correto dos resíduos sólidos. A data serve para refletir sobre o impacto do consumismo, do desperdício e da forma como os sistemas produtivos, principalmente a indústria tem se comportado.

A conscientização global por trás da data ganhou força nas décadas anteriores, principalmente após a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em 1972, que destacou a necessidade urgente de proteger o planeta. A prática é essencial para garantir a circularidade dos materiais, reduzindo o volume de lixo nos aterros e a emissão de gases do efeito estufa que contribuem para a crise climática.

A questão da reciclagem nos remete a diversos outros aspectos que antecedem a produção dos vários tipos de resíduos orgânicos, que comummente denominamos de ‘lixo”, mas que na verdade, boa parte do mesmo tem um grande potencial econômico e financeiro, mas não é levado em consideração pela imensa maioria da população e das empresas e governos no mundo todo, inclusive no Brasil.

Para entendermos melhor esta questão e dar a direção correta precisamos combater o consumismo, ou seja, a voracidade em comprar produtos além da capacidade ou necessidade.

O conceito de consumismo enfatiza que esta compulsão decorre, em boa parte, pelo marketing dos sistemas produtivos ao estimularem até mesmo aspectos psicológicos das pessoas, dos consumidores e induzirem os mesmas a adquirir além das necessidades ou das condições financeiras, gerando o super endividamento, como tem acontecido ultimamente no Brasil e no mundo.

Vejamos, então o conceito “consumismo é o hábito de comprar bens ou serviços de forma exagerada e sem necessidade real. Ele vai além do ato básico de consumir por sobrevivência, transformando a aquisição de produtos supérfluos em uma fonte de prazer, status ou aceitação social.

Se desejamos combater o aumento da geração de lixo pelos países e também o aumento desta produção por habitante (produção per capita) que ao longo das últimas seis décadas tem aumentado muito acima do crescimento da população e do aumento da renda nacional dos países e da renda per capita, precisamos entender bem as engrenagens sociais, culturais, políticas e econômicas que fazem parte desta cadeia do lixo.

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Ao lado do CONSUMISMO surge o desperdício de todos os bens que a população adquire, como desperdício de alimentos, de energia, de água, de roupa/vestuário, de materiais de construção e todo este desperdício vai parar nas ruas, nas “bocas de lobo”, em terrenos desocupados/baldios, nos quintais, nos córregos, nos rios e, finalmente, nos mares e oceanos.

O que causa maior tristeza nesta engrenagem é vermos que enquanto no mundo são desperdiçadas mais de 1,1 bilhão de toneladas de alimentos que são jogadas no lixo anualmente, volume este que representa aproximadamente um quinto (20%) de toda a comida produzida globalmente, o que equivale a mais de 1 bilhão de refeições sendo desperdiçadas diariamente, ao mesmo tempo mais de 700 milhões de pessoas estão passando fome e com estimativas de que cerca de 9 milhões de pessoas morram de fome ou por desnutrição grave no mundo a cada ano.

Outro problema grave nesta cadeia do consumismo, desperdício, geração de lixo e falta do tratamento adequado e correto do mesmo, é a questão dos plásticos. Atualmente o maior desafio que o mundo enfrenta, tendo em vista a resistência de setores econômicos poderosos como a indústria do petróleo e seus derivados, onde está incluída também a famigerada indústria dos plásticos, que está no centro dos problemas ambientais mais graves que temos e que precisam ser enfrentados com seriedade.

Em 2020 o mundo produziu 460 milhões de toneladas de lixo em geral e deste volume em torno de 353 milhões de toneladas foram de plásticos, representando 76,7% de todo o lixo produzido no mundo.

De outro lado, os dez países que mais produzem lixo plástico, área em que o Brasil ocupa o 4º lugar, produziram 204,1 milhões de toneladas, representando 60% de todo o lixo plástico produzido no mundo.

Globalmente, a taxa de reciclagem e compostagem de resíduos sólidos urbanos gira em torno de 19%. No entanto, considerando toda a economia global (incluindo materiais industriais e de construção), a taxa de circularidade é de apenas 6,9%. O volume total de lixo produzido no mundo vem crescendo exponencialmente.

Do volume total de lixo plástico produzido no mundo, anualmente, apenas 9% é reciclado, o restante acaba em aterros sanitários ou simplesmente abandonados como anteriormente mencionado, produzindo degradação ambiental do solo, das águas e dos espaços públicos.

O Brasil produz 11,4 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, em torno de 52,5 kg por ano e recicla apenas 1% deste total, razão pela qual diversos problemas tem surgido e diante do descaso do sistema produtivo, da indústria de plástico em geral, de nossos governantes que simplesmente tem falhado em definir regras mais efetivas em relação `a logística reversa para o setor de plásticos os hábitos consumistas, de desperdício e falta de cuidado com este problema, a coleta seletiva e a reciclagem em nossas cidades estão longe de serem solucionadas.

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Em torno de 40% das cidades brasileiras não tem coleta seletiva e nem uma política de reciclagem, incluindo cidades de porte médio e grande como Cuiabá e Várzea Grande, o maior aglomerado urbano de Mato Grosso, com mais de um milhão de habitantes.

Em pesquisa sobre reciclagem nos centros urbanos do Brasil o IBGE ao publicar os resultados da mesma alertou que “A coleta seletiva no Brasil é regulamentada por diversos instrumentos legais que visam a correta gestão de resíduos sólidos e a promoção da sustentabilidade. Um dos principais marcos é a Lei 12.305, de 02/08/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa legislação estabelece diretrizes importantes para a implementação da coleta seletiva nos municípios, determinando que os resíduos devem ser separados em categorias como recicláveis, orgânicos e rejeitos, a fim de facilitar sua destinação adequada”.

Todavia, apesar da existência de legislação federal, a omissão de autoridades municipais e também dos organismos de controle, a realidade brasileira em relação `a questão do lixo em geral, do lixo plástico e da reciclagem, enfim, da economia circular ainda está longe de demonstrar que o país cuida do meio ambiente corretamente.

Esses são alguns desafios que deveriam estar sendo debatidos tanto em fóruns especiais relacionados com o assunto quanto ser incluído na pauta da discussão política, principalmente neste momento em que o Brasil está iniciando seu processo eleitoral, da mesma forma que precisa ser debatido por entidades ambientalistas não governamentais e pelos diversos movimentos sociais e comunitários.

A ONU, em 2015, estabeleceu os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), entre os quais o ODS 12 – Consumo de Produção Responsáveis, visa garantir padrões sustentáveis em toda a cadeia produtiva, estabelecendo 11 metas principais para reduzir o desperdício, gerenciar recursos naturais e promover o desenvolvimento sustentável.

Entre essas metas estão: gestão correta de resíduos sólidos, incluindo reciclagem, redução do consumo, reuso de produtos e um menor impacto sobre a natureza e os recursos naturais; gestão dos produtos químicos que afetam o meio ambiente, como agrotóxicos e outros produtos nocivos também a saúde humana e animal; responsabilidade corporativa por parte dos sistemas produtivos, incluindo a logística reversa, já implantada para alguns setores mas ainda longe de ser realidade em relação aos plásticos; definição de políticas públicas e programas, principalmente em nível local (prefeituras), visando reduzir os impactos negativos do lixo no meio ambiente; programas de educação ambiental, visando o despertar da consciência ecológica nos consumidores em geral.

Esses são alguns aspectos que devem estar presentes quando, por exemplo, neste Dia Internacional da Reciclagem.

Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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