Como o eleitorado de Mato Grosso, do campo da extrema-direita ao campo da direita, passando pelo centro está reagindo diante das revelações sobre as relações nebulosas do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro bandido Daniel Vorcaro, acusado de cometer a maior fraude da história do sistema bancário do país? Vão engolir bem as explicações tortas dadas até agora por Flávio Bolsonaro? Bem, para a extrema direita bolsonarista que bebe detergente Ypê e faz orações para pneus de caminhões, qualquer explicação de Flávio é a verdade de Deus. Mas a reação da direita conservadora, direita e centro, ainda é uma incógnita até agora.
O presidente do PL de Mato Grosso, Ananias Filho, comanda este exército de contentes. Ele afirmou que a sigla trabalha para ampliar o desempenho eleitoral do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, no estado em comparação ao resultado obtido por Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Sim, isso mesmo após a divulgação de áudio em que o presidenciável pede dinheiro para Daniel Vorcaro. Ou seja, a crença de que o “fora PT” tem apelo maior para o eleitorado conservador do que a denúncia das relações do membro do Clã da Família Bolsonaro com um banqueiro ladrão do dinheiro público.
Segundo ele, com o eleitorado engolindo bem as explicações de Flávio, a meta é fazer o partido sair dos cerca de 65% dos votos válidos para uma faixa entre 70% e 75%. Ananias disse que Mato Grosso terá papel relevante no financiamento e na construção da narrativa da campanha de Flávio Bolsonaro junto ao setor agropecuário.

MATO GROSSO VAI CAIR NO COLO DE FLÁVIO?
“Mato Grosso irradia porque a questão do agronegócio tem abrangência nacional e forma opinião dos outros estados produtores. Mato Grosso é um estado estratégico para um candidato de direita que possa realmente consolidar a sua eleição a nível nacional”, declarou em entrevista à rádio Verde FM. Por esta lógica, os produtores rurais de Mato Grosso vão defender uma candidatura sob o peso da suspeita de corrupção e negociatas só porque é um candidato da “direita”? Nunca foi tão fácil assim fazer engolir uma candidatura cercada de graves suspeições.
O principal desgaste na imagem do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) decorre do impacto político e eleitoral gerado pela revelação de áudios e detalhes de sua relação com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A crise afeta a imagem pública do parlamentar em três frentes principais:
- Fragilização do Discurso Presidencialista para 2026
O vazamento das conversas ocorreu exatamente quando Flávio se posicionava como o principal nome do Clã Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026. A revelação de uma ligação tão direta com um banqueiro envolvido em escândalos financeiros e fraudes bilionárias minou a tentativa de consolidar uma imagem pública de maturidade política e estabilidade institucional, obrigando a equipe de campanha a abandonar o planejamento estratégico inicial para focar em contenção de danos.
- Contradições com a Bandeira da “Moralidade”
O bolsonarismo historicamente sustenta seu discurso na oposição a esquemas de corrupção e no combate a relações espúrias com o sistema financeiro. O áudio revelado pelo The Intercept Brasil, no qual o senador cobra Vorcaro pela retomada de repasses para o financiamento do filme Dark Horse (documentário internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro), expôs uma proximidade vista como incompatível com a retórica do grupo. Embora Flávio defenda que a transação era um “patrocínio 100% privado”, a associação da imagem da família a um réu por lavagem de dinheiro e fraudes financeiras gerou forte ruído ético.
- Confirmação de Visitas Pessoais Pós-Prisão e Uso de Verba Pública
O desgaste se aprofundou substancialmente após o próprio Flávio Bolsonaro admitir publicamente que visitou Daniel Vorcaro em São Paulo no final de 2025, período em que o banqueiro já havia sido alvo de prisão na Operação Compliance Zero e cumpria medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.
Para piorar a situação com a opinião pública, investigações jornalísticas revelaram que o senador utilizou a cota parlamentar (reembolso pago pelo Senado com dinheiro do contribuinte) para custear as passagens aéreas dessas viagens a São Paulo, abrindo margem para questionamentos legais no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Conselho de Ética sobre o uso de dinheiro público para resolver assuntos de interesse privado.
O desgaste é considerado tão evidente que a liderança nacional do partido encomendou pesquisas qualitativas específicas para medir o tamanho real do estrago junto ao eleitorado conservador e decidir se a pré-candidatura de Flávio ao Planalto continua viável. Será que o eleitorado conservador de Mato Grosso vai fechar os olhos, tapar o nariz e continuará apoiando Flávio Bolsonaro mesmo sabendo dos rolos do candidato?
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