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ARTIGO

Domingo: o dia de Deus, da família e do descanso que o Brasil precisa resgatar

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O Brasil discute a redução da jornada 6×1 para 5×2. Não é só pauta trabalhista. É resgate civilizatório e espiritual. Somos uma nação de maioria cristã. O domingo é, por dogma e tradição, o dia guardado ao Senhor. Dia de missa, de culto e de outras funções religiosas de outras matrizes. Além da família reunida, de mesa farta e conversa sem pressa no almoço dominical.

No passado, o comércio fechava. As ruas silenciavam. A cidade inteira respirava junto. Era o pacto social do descanso dominical geral. A escala 6×1 quebrou esse pacto. Transformou o domingo em dia comum de trabalho, esvaziando igrejas, praças e almoços de família. Desconectou o trabalhador do seu tempo sagrado e afetivo.

O corpo e a alma pagam a conta. A 6×1 gera cansaço crônico. São seis dias de trabalho para um só de folga, insuficiente para recuperar o sono, resolver a vida e existir. O trabalhador chega na segunda já exausto. Produz menos, adoece mais, vive anestesiado. Rouba-se o direito ao convívio real com filhos e pais.

A mudança para 5×2 devolve dignidade. Garante dois dias seguidos de descanso. Recupera o direito ao lazer sem culpa. E resgata o ócio criativo. É no ócio que o ser humano inventa, reflete, reza, ama e cria arte. Uma sociedade sem ócio é uma sociedade sem alma, que só repete tarefas.

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Isso não é novidade. No início do século passado, Henry Ford já aplicava jornada 5×2 em sua fábrica. Entendeu que trabalhador descansado produz mais e consome mais. Reduziu a jornada para criar uma classe média com tempo e dinheiro. Se Ford fez há 100 anos, o Brasil pode fazer hoje com o 5×2.

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han define nosso tempo: vivemos na “sociedade do cansaço”. Trocamos a disciplina da fábrica pela violência do autodesempenho. Somos empresários de nós mesmos, nos explorando até o burnout. O cansaço virou depressão e ansiedade. A promessa de liberdade pelo trabalho infinito nos aprisionou.

O descanso dominical geral é o antídoto. Não é privilégio. É profilaxia social. Quando a cidade para, ninguém fica para trás. O pequeno comerciante não é forçado a abrir porque o grande abriu. O trabalhador não teme perder o emprego por ir à missa ou ao culto com os filhos. O fechamento geral garante isonomia no descanso.

E é possível. No Espírito Santo, por Convenção Coletiva de Trabalho, mais de 1.500 lojas de supermercados fecham aos domingos. Seus funcionários têm o domingo garantido com a família. Prova que lucro e respeito ao dia do Senhor caminham juntos. Se os mercadistas do Estado do Espírito Santo e Ford conseguiram, todo o comércio consegue.

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Que economia queremos? Uma que fatura no domingo às custas da saúde mental? O custo do cansaço e do afastamento é imenso. Uma sociedade descansada consome e cria melhor.

Resgatar o domingo é resgatar o Brasil. É dizer que a vida não é só produção. É honrar a fé da maioria, que vê no sétimo dia o tempo da Graça. A escala 5×2 é o passo. O fechamento geral aos domingos, como era no passado, é a conclusão justa.

Descansar é resistência. É fé. É amor à família. Pelo fim da 6×1. Pelo domingo de todos.

José Antônio Borges Pereira é Procurador de Justiça da Especializada Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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