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‘PROBLEMA SISTÊMICO’

Ex-secretário amplia críticas e aponta crise fiscal generalizada na gestão Abilio

Após rebater acusações na Câmara, Amauri Monge diz que problemas vão além da Educação e atingem várias secretarias em Cuiabá.

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(Foto: Prefeitura de Cuiabá)

Um dia após ir à Câmara Municipal para negar suspeitas de desvio na Educação, o ex-secretário Amauri Monge ampliou o tom das críticas à gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) e afirmou que os problemas enfrentados pela pasta fazem parte de um cenário mais amplo de desorganização administrativa e crise fiscal na prefeitura de Cuiabá. Em entrevista nesta sexta-feira (29.05), ao Jornal da Cultura, ele disse que a falta de recursos em caixa compromete não apenas a Educação, mas diversas áreas, e citou atrasos a fornecedores, decisões administrativas controversas e saída de secretários como sinais de um “problema sistêmico de gestão”.

Monge voltou a negar a existência de contrato de R$ 80 milhões para compra de material didático e classificou como “levianas” as insinuações feitas pelo prefeito. Segundo ele, o modelo de compras da prefeitura envolve diferentes instâncias, o que afastaria a possibilidade de irregularidades isoladas. O ex-secretário afirmou ainda que, caso haja qualquer problema, ele seria resultado de falhas estruturais na administração. “Não é uma acusação contra uma pessoa, mas contra toda uma engrenagem da prefeitura”, disse.

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Na entrevista, Monge trouxe novos elementos ao detalhar o que seria uma pedalada fiscal na Educação, com despesas empenhadas e liquidadas no ano passado, mas empurradas para pagamento neste ano por falta de recursos em caixa. Segundo ele, a prática foi utilizada para cumprir o índice constitucional mínimo de 25% de investimento na área, que teria alcançado 26,1%, mas sem a correspondente disponibilidade financeira para quitar os compromissos. “A dívida ficou rolada, sem previsão de pagamento”, afirmou.

O ex-secretário disse que a situação não é exclusiva da Educação. Outras pastas também estariam acumulando débitos com fornecedores, o que apontaria uma crise fiscal mais ampla. Como exemplo, citou a decisão de incluir despesas do Aquário Municipal no orçamento da Educação. “Hoje, os 25% da Educação estão pagando até a comida dos peixes, porque não havia recursos no Turismo”, declarou. Para Monge, a medida distorce a finalidade dos investimentos e pressiona ainda mais o orçamento educacional.

Ele também relacionou o cenário à saída de secretários da gestão municipal, sugerindo que dificuldades administrativas e financeiras têm provocado desgaste interno. Aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, ele afirmou que a condução da gestão tem levado a um ambiente de instabilidade. “Fazer gestão de crise é possível, mas não com esse nível de desorganização e insegurança”, disse.

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Monge declarou que deixou a pasta após meses lidando com restrições orçamentárias e tentando alertar a área econômica do município sobre atrasos e riscos fiscais. Segundo ele, há registros de comunicações à Secretaria de Fazenda sobre a necessidade de regularizar pagamentos. O ex-secretário também mencionou que fornecedores estariam receosos de cobrar valores devidos, diante do risco de não recebimento ou transformação das dívidas em precatórios.

Apesar das críticas, ele disse não se arrepender de ter assumido a secretaria. Ao comentar a decisão de órgãos de controle de apurar a situação, afirmou que vê as investigações com tranquilidade e defendeu a abertura de uma CPI na Câmara para esclarecer os fatos. “É fundamental que tudo seja apurado. Isso é republicano”, disse.

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