O ex-governador Mauro Mendes (União) acostumou-se com a ideia, soberba, de que ele está acima de tudo e de todos, uma espécie de imperador de Mato Grosso que não admite críticas dos “súditos”. Raivoso, prefere xingar os críticos a dar as devidas explicações sobre os malfeitos, vários, da sua gestão.
O último alvo preferencial dos ataques raivosos do ex-governador, expresso em xingamentos, foi o senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato a governador. Wellington sugeriu que o governo paralisasse as obras do Parque Novo Mato Grosso, chamado pela oposição de “parque dos bilionários”, para investir em obras urgentes para a população de Mato Grosso.
A simples sugestão do senador-opositor acionou um novo acesso de fúria de Mauro Mendes, conforme registro do jornalista Fred Moraes, do site Gazeta Digital.
ACESSO DE RAIVA DE MAURO MENDES – PARTE 1
O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), não gostou nem um pouco da sugestão do pré-candidato ao governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), de paralisar as obras do Parque Novo Mato Grosso, construído pelo ex-mandatário. Nesta quarta-feira (10), Mauro usou as redes sociais para detonar a proposta e garantir que apenas “pessoas idiotas, invejosas e incompetentes” defenderiam a ideia. Além disso, teceu duras críticas ao senador.

ACESSO DE RAIVA DE MAURO MENDES – PARTE 2
“Meus amigos, é revoltante ver um político de Mato Grosso que tem mais de 30 anos de mandato, de senador, de deputado federal, falar uma estupidez tão grande como essa. Senador Wellington, eu acho que o senhor só pode estar tomando remédio vencido”, disparou Mauro Mendes na sua explosão raivosa.
O diabo está sentado em cima dos detalhes. O ex-governador argumenta que o Parque Novo Mato Grosso garantirá “acesso gratuito” ao esporte, cultura e entretenimento para famílias de baixa renda, citando atrações como corridas da Stock Car, campeonatos esportivos e shows nacionais. Não existe almoço grátis: quem paga a conta deste “acesso gratuito”?
MAURO XINGA E NÃO EXPLICA
O problema em questão não é a obra em si, mas da operação do balcão de negócios públicos e privados. O Parque dos Bilionários está sendo construído com dinheiro público, a exploração será repassada para a iniciativa privada. Esse é o detalhe que Mauro Mendes não explica.
Em março deste ano, o PNB publicou uma matéria falando sobre o pedido de informações feito pelo deputado estadual Wilson Santos e pelo deputado estadual Valdir Barranco. Mauro Mendes não se dignou a responder, como se fosse um imperador que pode tudo e acha que não precisa prestar contas.
MAURO NÃO EXPLICA A TRANSAÇÃO DO PÚBLICO PARA O PRIVADO
O governador Mauro Mendes (União) construiu o Parque Novo Mato Grosso, o parque dos milionários, gastando bilhões em dinheiro público. O que não revela é quem vai ganhar a concessão para a exploração do parque como negócio particular. Um bom negócio privado com bom futuro de lucros garantidos. A passagem do negócio do público para o privado continua sem as devidas explicações à sociedade que paga com seus impostos a referida obra. O deputado Wilson Santos (PSD) fez um requerimento de informações sobre essa transação em curso do negócio bilionário entre o dinheiro público e o lucro privado. Mauro Mendes não respondeu as informações que a sociedade precisa saber. Quem vai lucrar com esse negócio?
O requerimento feito pelo deputado estadual Wilson Santos teve um de pedido de informações, nº 539/2025 Protocolo nº 9644/2025, em setembro de 2025. Até hoje o ex-governador não deu as devidas respostas sobre quem vai ficar com a concessão da exploração do Parque Novo Mato Grosso, a obra bilionária feita com dinheiro público. Só numa Roda Gigante, Mendes gastou 70 milhões de reais em recursos do estado. Na sua justificativa, Wilson destaca a importância de o governador prestar contas de qual empresário ou quais empresários vão operar o empreendimento construído com dinheiro público.
“O Parque Novo Mato Grosso constitui um dos empreendimentos mais expressivos e onerosos já realizados pelo Estado de Mato Grosso, tendo absorvido vultosos investimentos de recursos públicos desde sua concepção até sua execução. Dada a magnitude financeira e a relevância social desse projeto, torna-se indispensável que haja total transparência quanto à forma pela qual sua gestão foi concedida à iniciativa privada.
A realização de chamamentos públicos, concessões e parcerias público-privadas exige a mais absoluta observância dos princípios constitucionais da Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência (art. 37 da Constituição Federal). Nesse contexto, cabe ao Poder Legislativo, no exercício de sua função fiscalizatória, verificar se o procedimento atendeu de forma rigorosa a tais princípios.
O presente Requerimento busca, portanto, não apenas a cópia integral do processo administrativo, mas também informações detalhadas acerca dos critérios de julgamento, da concorrência entre empresas interessadas, dos contratos e aditivos firmados, bem como dos compromissos assumidos pela concessionária em contrapartida ao uso de um patrimônio público de tamanha relevância. É fundamental compreender se o chamamento público garantiu ampla competitividade, se as condições de habilitação foram compatíveis com a realidade do mercado, se os critérios de julgamento foram objetivos e transparentes, e se a empresa vencedora vem cumprindo integralmente as obrigações assumidas perante o Estado. Assim, a solicitação das informações constantes deste requerimento é medida que se impõe, a fim de que a Assembleia Legislativa possa exercer de forma plena sua prerrogativa de fiscalização e garantir a defesa do interesse público”.
AS 11 QUESTÕES QUE MAURO RAIVOSO MENDES NÃO RESPONDEU AINDA
O parlamentar cobra as devidas informações do governador sobre esta passagem da obra pública para a exploração particular.
1- Cópia integral, de capa a capa, do processo administrativo referente ao chamamento público que resultou na concessão de gestão do Parque Novo Mato Grosso;
2-Quais foram os critérios técnicos, jurídicos e financeiros estabelecidos no edital para habilitação e julgamento das propostas?
3-Quais empresas ou consórcios participaram do chamamento público e quais foram suas respectivas pontuações ou classificações finais?
4-Qual a justificativa técnica que fundamentou a escolha da empresa vencedora?
5-Cópia do contrato de concessão firmado entre o Estado e a empresa, bem como de eventuais aditivos, anexos e planos de trabalho apresentados;
6-Qual é o prazo total de vigência da concessão, incluindo possibilidade de prorrogação?
7-Quais são as principais obrigações da concessionária em termos de manutenção, investimentos, programação de eventos e contrapartidas em benefício do Estado?
8-Há previsão de aporte financeiro direto ou indireto por parte do Governo do Estado para a execução das atividades da concessionária?
9-Quais são as estimativas de receita e de despesas previstas ao longo da concessão?
10-Quais mecanismos de fiscalização e acompanhamento contratual estão sendo adotados pelo Estado para garantir o cumprimento das obrigações da concessionária?
11- Existem relatórios de monitoramento já elaborados pela Secretaria ou outro órgão de controle? Em caso positivo, encaminhar cópia.
Mendes não deu essas explicações antes dele deixar o governo para disputar uma vaga ao Senado.
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) chegou a afirmar que os empresários beneficiados com a concessão para a exploração privada do Parque foram escolhidos a dedo pelo governador Mauro Mendes. Ele critica o modelo de gestão do atual governo: “O Estado não pode funcionar como balcão de negócios para quem já concentra riqueza”. O comentário na íntegra de Barranco, que a exemplo do deputado estadual Wilson Santos cobra a devida transparência deste negócio envolvendo dinheiro público visando lucro privado.
“É impossível não se revoltar ao ver um parque que custou mais de R$ 3 bilhões dos cofres públicos, ser colocado a serviço de interesses privados. Dinheiro pago pelo povo de Mato Grosso, que poderia estar em hospitais, escolas, estradas e segurança, agora parece destinado a favorecer grandes grupos econômicos. O chamado “Parque dos Bilionários” simboliza exatamente isso, um patrimônio público entregue a poucos privilegiados. Não é aceitável que estruturas construídas com recursos da sociedade acabem beneficiando empresários como Scheffer, Maggi e Reck Júnior, enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades no acesso a serviços básicos. O Estado não pode funcionar como balcão de negócios para quem já concentra riqueza. Mato Grosso precisa de políticas públicas para o povo, não de favores a bilionários. Quando o dinheiro público vira oportunidade privada para poucos, a indignação da sociedade é legítima e precisa se transformar em cobrança, transparência e responsabilidade”.




















