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DONO DE FERROVIA

Governo de MT aplica dinheiro dos aposentados para socorrer bilionário

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Quem viu o atual governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicano), circulando ao lado do bilionário Rubens Ometto, durante inauguração do novo trecho do modal da Ferrovia Estadual de Mato Grosso Senador Vicente Emílio Vuolo, no último dia 20 de junho, não imagina que a relação entre os dois vai além dos trilhos.

Documentos divulgados pela Mato Grosso Previdência (MTPrev), que administra o dinheiro dos servidores estaduais aposentados e pensionistas, mostram que o governo estadual foi bastante benévolo com a Cosan S.A., grupo empresarial bilionário dominado por Ometto.

Em novembro do ano passado, o MTPrev aportou R$ 15 milhões no BTG Pactual Co-Investimento Cosan FIP Multiestratégia Responsabilidade Limitada, fundo de investimento destinado aos investimentos na companhia. Dois meses antes, em setembro, o BTG e a Cosan firmaram acordo para reduzir em 57% as dívidas da companhia com aportes de até R$ 7 bilhões de fundos do BTG – alguns desses fundos recebem dinheiro de previdências de servidores.

A empresa de Ometto, a Cosan S.A., passa por um período que o mercado financeiro poderia classificar como “inferno astral”. Com exceção da Rumo, que registra lucro graças às operações da Malha Norte, que liga Mato Grosso ao Porto de Santos, as empresas da Cosan vivem fase ruim: a Raízen, que atua no setor sucroalcooleiro entrou em recuperação judicial registrando dívidas de R$ 75 bilhões.

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Para aliviar o caixa, a Cosan estuda a venda da Rumo S.A. e algumas ações efetivas já foram tomadas, como a venda de 12% das fazendas em Mato Grosso, adquiridas por R$ 1 bilhão pela companhia SLC.

Os investimentos do MTPrev no fundo do banco de André Esteves foi justificado pelo presidente da autarquia, Elliton Oliveira de Souza, com o argumento de que a Cosan é uma empresa com “elevado potencial de geração de valor”.

No início, os investimentos funcionaram. Porém, após março, as ações começaram a decair, e o fundo registrou uma rentabilidade negativa de -10,73% apenas no mês de maio. Naquele mês, o preço da cota recuou para R$ 0,9602, fazendo com que o aporte inicial de R$ 15 milhões encolhesse para R$ 14,403 milhões, uma perda imediata de quase R$ 600 mil para o patrimônio dos servidores.

O temor de perdas financeiras da Cosan ganhou força após declarações públicas do próprio CEO da Cosan, Marcelo Martins. Em conferência com investidores para comentar os resultados operacionais e os pesados prejuízos recentes da companhia, o executivo afirmou que é “bastante razoável” prever que a holding Cosan deixará de existir em um horizonte de três a cinco anos. Segundo ele, o desmonte gradual da estrutura faz parte de um plano emergencial de desalavancagem e venda de ativos para conter o endividamento do grupo, que sofreu severamente com a elevação das taxas de juros no país.

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Em seguida, Ometto foi à imprensa para justificar que a fala do CEO foi mal interpretada na imprensa. Ele negou que a Cosan fecharia e afirmou que a empresa continuará em operação.

Esta não é a primeira vez que o governo de Mato Grosso usa o MTPrev para grandes investimentos do BTG. Em maio do ano passado, o PNB Online mostrou que o MTPrev aportou R$ 3 milhões no BTG Pactual Co-Investimento em Linha de Transmissão. A previsão, segundo informou o presidente do MT Prev, seria investir R$ 50 milhões, apesar do documento formal de compromisso de investimento no fundo destacar que podem ser investidos até R$ 200 milhões dos aposentados neste fundo.

O fundo do BTG Pactual arrematou o maior lote do leilão 01/2024, realizado em março do ano passado, e deve construir em até 60 meses linhas de transmissão com extensão de 411 quilômetros, localizadas no estado do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

As empresas da família do ex-governador Mauro Mendes também participaram do leilão 01/2024 da Aneel. A Sollo Energia S.A. compôs o Consórcio Energia MS com a Hersa Engenharia e Serviços Ltda. e a FM Rodrigues & Cia Ltda.

O que diz o MT Prev

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do MTPrev, mas nenhuma resposta foi enviada até o momento.

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