Pesquisar
Close this search box.
ARTIGO

Ludopatia

Publicidade

Com a clara certeza de não ser vidente (caso fosse, já teria acertado vários sorteios da Mega-sena e, portanto, me transformado num daqueles bilionários listados pela Forbes), nada posso dizer se a canoa norueguesa virou ou se o Brasil pegou o rumo de casa antes das quartas (de final). Motivo: digito estes caracteres dois dias antes da partida. Uma coisa é certa: esta é a copa das bets aqui no Brasil, assim como as anteriores já foram, um dia, dos cigarros e das bebidas. (Na de 1970, por exemplo, primeira televisionada no Brasil, predominou a marca Continental, cujo bordão era “preferência nacional”, fumado, mas não propagandeado, por João Saldanha, que optou por apenas fazer a cobertura da competição).

Indo além de 1970, quando “nove entre 10 estrelas (ainda) usavam (sabonete) Lux”, na atual, segundo determinação da própria Fifa, todas as 48 seleções envolvidas no torneio, mesmo sem publicidade em suas camisas, ficaram expostas às plataformas de apostas. Apesar disso, mesmo com este tipo de publicidade sendo massivo no futebol, nem todo jogador de elite vira garoto-propaganda. Há os que não aceitam estampar no peito algumas dessas marcas, como o brasileiro Danilo e o francês Mbappé. Este, aliás, expôs seus motivos em vídeo circulando pelas redes sociais: “Somos a seleção francesa, inspiramos muitas pessoas e muitos de nós vêm da periferia, onde isso destrói um número incalculável de pessoas”.

Leia Também:  Sal branco e capim colonião

Com razão, porque a grande maioria dos mais de 5 bilhões de telespectadores desta copa está entre os periféricos citados por Mbappé e exposta aos efeitos dessa nova onda. Embora vista como simples brincadeira ou passatempo, a ludopatia (“necessidade incontrolável e compulsiva de jogar ou apostar”) atinge 80 milhões de pessoas no mundo e já é tratada como epidemia. No Brasil, onde os anunciantes “deitam e rolam”, estima-se este número em quase 11 milhões, cerca de 14% do total planetário. Paralelamente ao aumento da quantidade de doentes, cresce o faturamento dessas empresas, aqui no Brasil. De R$ 9,8 bilhões “em seus estágios iniciais de popularização” saltou para R$ 36,9 bilhões em 2025. Tem mais. Segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgados em abril, entre janeiro de 2023 e março deste ano, 270 mil famílias “entraram em inadimplência severa” por causa do vício em apostas. Neste mesmo período, o segmento perdeu R$ 143 bilhões em faturamento.

Leia Também:  Cuiabá precisa da ferrovia para seu desenvolvimento

A condescendência com esta propaganda, aqui e em outros países, tende a reduzir. Na Inglaterra, por exemplo, a Premier League proíbe na próxima temporada o patrocínio na parte frontal das camisetas dos clubes. Além disso, outras ligas como a espanhola, italiana, holandesa, alemã e portuguesa adotam restrições, mesmo que parciais. No Brasil, jogadores e artistas participam do movimento “Dê Block no Tigrinho”, na tentativa de frear esta onda. Bora apoiar?

*P.S.*: Desta vez, a seleção canarinha não conseguiu chegar às quartas-de-final. Saiu nas oitavas.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza