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JUVENTUDE E CINEMA

Cinema feito por jovens vira forma de ativismo contra violência de gênero em MT

Curtas produzidos por estudantes da UFMT e exibidos no Cinemato mostram relações abusivas e provocam debate sobre o papel da juventude na pressão por mudanças sociais e políticas públicas.

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(Foto: Reprodução)

Ao escolher a violência doméstica como tema de dois curtas-metragens apresentados no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, o Cinemato, estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) levaram para as telas um problema que, muitas vezes, permanece escondido dentro de casa.

Em “Ele cuida de mim” e “Tutorial de Maquiagem”, jovens realizadores mostram mulheres submetidas a relações marcadas por controle, isolamento e agressões, mas que inicialmente têm dificuldade para reconhecer a violência. Mais do que obras de ficção, os filmes também podem ser entendidos como uma forma de ativismo político e social em um estado que convive com altos índices de violência contra as mulheres.

O PNB Online ouviu o senador Carlos Fávaro (PSD), a deputada estadual Janaina Riva (MDB) e o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges, sobre o papel da juventude e da arte na pressão por políticas de proteção às mulheres.

Fávaro, que é pré-candidato à reeleição ao Senado, afirmou que o engajamento dos estudantes em torno da violência de gênero demonstra uma preocupação da nova geração com um dos principais problemas sociais da atualidade. “Quando a gente encontra jovens preocupados, engajados com esse tema, a gente vê uma evolução da sociedade. A gente vê a sociedade na busca das soluções”, afirmou.

Para o senador, o debate político e científico dentro da universidade pode contribuir para a criação de ações voltadas à proteção e à valorização das mulheres. Ele também disse considerar a discussão especialmente relevante no contexto das eleições de 2026.

A deputada Janaina Riva, pré-candidata ao Senado, também classificou a produção dos filmes como uma forma de ativismo. Para ela, ao levar a violência doméstica ao cinema, os estudantes ajudam a retirar do silêncio situações que ainda são naturalizadas, inclusive pelas próprias vítimas.

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“Quando um estudante transforma esse tema em curta, ele provoca debate, faz outras mulheres reconhecerem sinais de abuso e obriga a sociedade a olhar para aquilo que muitos não querem enxergar”, disse.

Dificuldade em reconhecer a violência

Essa dificuldade de reconhecer a própria condição de vítima é um dos elementos centrais das duas produções.

Em “Ele cuida de mim”, uma mulher relata à amiga que o marido escolhe suas roupas, controla seu dinheiro e sua rotina e a convenceu a deixar o emprego. Mesmo depois de contar que foi empurrada por ele, a personagem tenta tratar o episódio como algo sem importância.

O PNB Online ouviu Carlos Fávaro, Janaina Riva (MDB) e José Antônio Borges, sobre o papel da juventude e da arte na pressão por políticas de proteção às mulheres. (Fotos: Reprodução)

A situação muda quando a amiga enumera as diferentes formas de controle presentes na relação e decide fazer uma denúncia. O filme termina com a orientação para acionar o 190 em emergências e o Ligue 180 para informações, orientação e apoio.

Já em “Tutorial de Maquiagem”, uma mulher faz uma transmissão ao vivo enquanto tenta esconder, com maquiagem e justificativas, os sinais de uma relação violenta. Entre dicas de beleza, ela revela que o marido interfere na roupa que veste, desaprova a convivência com amigas e familiares e tenta impedir sua presença nas redes sociais.

A personagem também apresenta como gestos de romantismo os presentes dados pelo companheiro depois de “desentendimentos”. A construção do roteiro faz com que o público perceba progressivamente aquilo que ela própria ainda não consegue admitir: o relacionamento é marcado por violência.

Para Janaina, a abordagem pode contribuir para romper o silêncio e fazer com que outras mulheres identifiquem situações semelhantes em suas próprias vidas. “Isso também pressiona o poder público, porque mostra que a violência contra a mulher não é uma pauta isolada, é uma cobrança da sociedade”, afirmou.

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A arte pela transformação social

O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges relacionou a liberdade criativa da juventude à capacidade histórica da arte de provocar transformações sociais. “A arte transcende o convencional, e a juventude cheia de sonhos e com o imaginário livre das amarras formadas pela nossa sociedade traz importantes mudanças socioculturais”, afirmou.

Borges citou as manifestações de maio de 1968, em Paris, como exemplo do papel de movimentos juvenis nas mudanças de comportamento e afirmou que universidades públicas, manifestações artísticas e políticas culturais tornam-se alvos de setores ultraconservadores justamente por funcionarem como espaços de produção e circulação de novas ideias.

Para o procurador-geral, parte dessa resistência também está ligada à autonomia conquistada pelas mulheres para definir os próprios caminhos, relacionamentos e projetos de vida.

Segundo Borges, movimentos ligados aos chamados “red pills” e à “machosfera” expressam um ressentimento diante da perda de um modelo de poder masculino baseado no controle sobre as mulheres. “Feminicídio é isso para aqueles que têm as mulheres como patrimônio e objeto sexual apenas”, afirmou.

“Ele cuida de mim” tem roteiro de Eduarda de Branco, direção de Gabriel Lucas e produção de Felipe Martins. O elenco é formado por Eduarda de Branco, Maria Fernanda Arruda e Léo Kennedy. A direção de fotografia é de Sofia Nord Portella Alves e Mário Silvestrini. “Tutorial de Maquiagem” tem direção e roteiro de Mateus Lourenço, produção de Felipe Martins e Carol Montenegro no elenco. A direção de fotografia é de Eduarda de Branco e Mário Silvestrini. Os dois trabalhos tiveram orientação pedagógica da professora Cláudia Moreira.

Confira os curtas: 

 

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