O ex-governador e ex-procurador da República Pedro Taques protocolou um aditamento de representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR) sugerindo que o ex-governador Mauro Mendes (União) sofra um pedido de prisão da PGR por suposta obstrução de Justiça e destruição de provas.
A banca de advogados liderada por Taques sustenta que o filho de Mauro Mendes, Luiz Antônio Taveira Mendes, tem promovido uma sistemática e coordenada alteração estrutural em suas empresas para ocultar o destino dos recursos públicos. O texto cita que Luiz, como representante de Mauro Mendes, saiu do quadro societário das empresas envolvidas a medida que o escândalo da Oi veio a público.
Segundo a denúncia enviada à PGR, foram mapeadas 21 alterações societárias envolvendo constituições, entradas, saídas e baixas de CNPJs — realizadas por Luiz Antônio Taveira Mendes, familiares e fundos coligados entre os anos de 2023 e 2026.
Para os representantes jurídicos, o padrão dessas movimentações não representa mera rotina de gestão de negócios, mas sim uma estratégia de embaçamento do rastreamento patrimonial (follow the money) e de “descolamento formal” das investigações em curso.
O documento aponta que as alterações societárias ocorreram em “janelas plausivelmente reativas”, ou seja, logo após o avanço de investigações jornalísticas ou ações judiciais.
A saída da Minerbras: Em 29 de abril de 2025, Luiz Antônio retirou-se da administração da Minerbras Mineração Ltda. A saída ocorreu no exato momento em que o portal de notícias PNB Online conduzia uma investigação jornalística sobre o caso.
O cerco das investigações: Em 13 de janeiro de 2026, em meio ao início formal das apurações na PGR e da repercussão na mídia, Luiz Antônio retirou-se pessoalmente da empresa Sollo Hub Ltda.
Reação ao aditamento: Em 13 de abril de 2026, apenas oito dias após o protocolo de um aditamento anterior à PGR, Luiz Antônio retirou-se simultaneamente de três empreendimentos do ramo de entretenimento (os restaurantes Garden, Let’s Meats e Azuri).
A cascata de fundos e o salto da Brasbio
A representação de Pedro Taques conecta o controverso acordo judicial de R$ 308 milhões homologado em benefício da Oi S.A. e pago diretamente à banca Ricardo Almeida Advogados sem passar pelo regime constitucional de precatórios a uma complexa “cascata de fundos”.
As investigações apontam que dois fundos de investimento participativos, 5M Capital e Green Lake, funcionaram como canais de escoamento. Ambos ingressaram e saíram das empresas de energia H2M e VS Energia (pertencentes ao núcleo familiar dos Mendes) em datas que coincidem estritamente com o cronograma de liberação das parcelas do acordo da Oi pelo Estado.
O destino final de parte expressiva dessa liquidez teria sido a Brasbio Brasil Bioenergia S.A., localizada no Piauí. De acordo com os registros da Junta Comercial (JUCEPI), o capital social da Brasbio saltou de modestos R$ 300 mil para R$ 82,5 milhões no exato período em que o fundo Green Lake e suas coligadas aportaram na empresa, em concomitância com os desembolsos do erário de Mato Grosso.
Conexão com a “Operação Heritage” no STF
O aditamento protocolado por Pedro Taques reforça que a consistência das provas levantadas por sua equipe foi referendada pelas apurações da Polícia Federal.
A investigação culminou na Operação Heritage, deflagrada em 24 de julho de 2026 sob a relatoria do Ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou buscas, apreensões e o bloqueio de cerca de R$ 316 milhões de empresas e fundos ligados ao grupo investigado.
Diante do risco iminente de que novas manobras societárias apaguem de forma definitiva o rastro dos valores desviados, a petição assinada requer que a PGR decrete medidas cautelares extremas. Cabe agora ao Procurador-Geral Paulo Gonet Branco analisar o pedido de prisão preventiva e o aditamento de provas contra o governador Mauro Mendes e os demais envolvidos.
























