Na reta final do prazo para substituição de suplentes, a deputada estadual Janaína Riva (MDB), candidata ao Senado por Mato Grosso, trocou os dois nomes de sua chapa. Danilo Berndt Trento (MDB) assumiu a primeira suplência e Rafael Yamada Torres (MDB), a segunda, nos lugares de Aluízio Lima e Ibrahim Zaher. Os dois escolhidos já tiveram os nomes envolvidos em investigações criminais e procedimentos judiciais.
Trento ganhou projeção ingloriosa na CPI da Pandemia, em 2021, quando era diretor de relações institucionais da Precisa Medicamentos. Ele chegou a depor na comissão, cujo relatório final recomendou seu indiciamento por fraude em contrato, organização criminosa e improbidade administrativa.
Mais recentemente, seu nome apareceu nas investigações sobre descontos irregulares no INSS. A Polícia Federal registrou que ele pagou passagem aérea do então procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao instituto, Virgílio Antônio de Oliveira Filho. No parecer final do relator, posteriormente rejeitado pela CPMI, Trento foi apontado como operador financeiro e teve o indiciamento proposto por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
O empresário também impetrou mandado de segurança no STF contra a quebra de seus sigilos bancário e fiscal pela CPI do Crime Organizado. O pedido foi distribuído ao ministro Gilmar Mendes, mas acabou considerado prejudicado após o encerramento dos trabalhos da comissão, em abril.
Em junho deste ano, Trento esteve no Fórum de Lisboa, conhecido informalmente como “Gilmarpalooza, acompanhado de Janaína. A deputada estadual integrou oficialmente um painel sobre agronegócio.
Suspeitas contra segundo suplente
Ligado à Trimec Construções e Terraplanagem, Rafael Torres Yamada foi denunciado em ação sobre contratos de manutenção de rodovias de Mato Grosso.
Filha de ex-presidente da Assembleia
Janaína é filha do ex-deputado José Riva, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Riva possui extensa ficha corida, tendo sido condenado em diferentes ações. Ele ficou 331 dias efetivamente preso entre 2015 e 2016 e depois cumpriu pena também em prisão domiciliar e nos regimes semiaberto e aberto.
Sucessão de trocas
A primeira suplência havia sido destinada à delegada aposentada Ana Cristina Feldner, depois substituída por Aluízio Lima. Ana Cristina afirmou ter sido retirada sem aviso e disse ter se sentido “usada, enganada e desrespeitada”. Janaína contestou a versão.
Aluízio e Ibrahim Zaher deixaram a chapa no sábado (12), abrindo espaço para Trento e Rafael. Nas pesquisas mais recentes, Janaína aparece em segundo lugar, atrás apenas do governador Mauro Mendes (União). Os dois são favoritos para conquistar as duas vagas ao Senado pelo estado.
Vote em um, leve três
Como mostrou o Congresso em Foco, esta segunda-feira (14) é o último dia para partidos e coligações pedirem a substituição de candidatos. Cada senador é eleito com dois suplentes. Como 54 cadeiras estão em disputa neste ano, os vencedores levarão consigo 108 suplentes, que poderão assumir os mandatos temporária ou definitivamente ao longo dos oito anos.
As suplências também fazem parte da montagem política das chapas e podem acomodar aliados, lideranças regionais, empresários de peso e até familiares do titular. Apesar da importância do posto, os suplentes costumam ter exposição muito menor na campanha. O eleitor não vota separadamente neles: ao escolher um candidato ao Senado, elege também seus dois substitutos.






















