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ABISMO

Abilio, “prefeito tiktok”: o personagem da desgraça de Cuiabá; veja o vídeo

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Cuiabá no abismo: os cuiabanos e cuiabanas tem que suportar, pelo menos até 2028, um prefeito que só sabe falar, como um personagem ridículo, “PT, PT, PT” e “faz o L”. Transformou a cidade no seu circo ideológico. Trabalhar que é bom, quase nada.

O personagem coadjuvante Abismo, da série digital Djogo dos Tronos, criada pelo humorista Thyago Mourão, faz parte da narrativa que retrata o jogo do poder em Mato Grosso, mas também mostra a miséria da política reduzida ao jogo cínico da ideologia. Abismo só consegue falar “PT, PT, PT e faz o L”, uma crítica inteligente e bem-humorada ao seu discurso limitado. No jogo do que julga ser esperteza, Abismo faz que não enxerga nada além do uso da ideologia como instrumento de manutenção de seguidores da extrema direita.

É uma série ficcional de sucesso, com cada novo episódio lançado todos os domingos no Capivara Play. Qualquer semelhança do Abismo com o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) é mera coincidência. Em óbvio, o personagem da vida real é pior. Para indignação crescente dos cuiabanos, Abilio transformou Cuiabá no seu circo particular de esquetes de embates ideológicos. Trabalha pouco e gera muito conteúdo de vídeo que diverte quem ri da desgraça da cidade.

No mundo real, Abilio/Abismo é uma tragédia anunciada, com facetas que vão a) das denúncias de ser leniente com a corrupção na sua gestão na prefeitura; b) o abandono da cidade para cuidar da eleição da sua esposa, dona Samantha, candidata a deputada estadual, para fortalecer o Clã Brunini, a c) traição velada ao seu partido d) até as promessas de campanha até hoje não cumpridas.

ABILIO E A CORRUPÇÃO

As discussões e críticas direcionadas a Abilio Brunini na condução da prefeitura de Cuiabá costumam transitar por diferentes frentes, especialmente no que tange ao rigor, à transparência e à forma como investigações e denúncias de irregularidades são tratadas na administração pública.

As principais críticas e questionamentos levantados por opositores, servidores e órgãos de controle sobre a postura fiscalizatória e o combate à corrupção na gestão incluem:

Suspeitas de morosidade ou seletividade: Críticos frequentemente apontam que, apesar do forte discurso de oposição a gestões passadas sob a bandeira do combate à corrupção, o rigor cobrado de terceiros nem sempre se reflete com a mesma velocidade em apurações internas quando problemas surgem na própria estrutura administrativa.

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Controvérsias em contratos e dispensas de licitação: O uso recorrente de dispensas de licitação e contratos emergenciais (como em áreas de tecnologia, trânsito e prestação de serviços públicos) é alvo frequente de questionamentos por parte de vereadores e órgãos jurídicos, que cobram maior transparência para evitar sobrepreços e desvios.

A atitude frente a denúncias de subsecretários e servidores: Houve episódios de embates públicos em que ex-integrantes do alto escalão e servidores apontaram falhas de planejamento ou repasses sob suspeita, gerando cobranças da oposição e da sociedade civil para que o Executivo municipal renuncie a narrativas políticas e aprofunde apurações técnicas isentas.

Cortinas de fumaça: Críticos argumentam que a exposição de escândalos nas redes sociais ou o anúncio antecipado de investigações administrativas sem a devida conclusão técnica podem servir mais a propósitos de marketing político do que a uma investigação institucional sólida, correndo o risco de comprometer provas ou gerar desgaste desnecessário.

CUIABÁ QUE SE EXPLODA: A ELEIÇÃO DA ESPOSA É PRIORIDADE

Chamado de “prefeito TikTok” pela oposição e boa parte dos cuiabanos, por ficar mais tempo fazendo vídeos do que cuidar da gestão da cidade, Abilio Brunini busca na bolha da extrema direita do interior os votos para eleger a esposa, dona Samantha, candidata à deputada estadual. A rejeição crescente em Cuiabá é o motivo de Abilio correr atrás dos votos bolsonaristas do interior.

O prefeito Abilio Brunini (PL) tem duas ocupações hoje, e nenhuma delas tem a ver com administrar Cuiabá, largada à própria sorte por uma gestão que não cumpre as promessas feitas na campanha de 2024. Abilio faz o papel de marido dedicado, ocupado em eleger a esposa a deputada estadual e o papel de marreta digital, ocupado em servir aos candidatos que apoia, fazendo as críticas encomendadas contra os adversários. 

Abilio enfrenta uma crescente rejeição em Cuiabá. Esse desgaste atrapalha a sua ocupação 1, eleger a esposa, dona Samantha, deputada estadual, fortalecendo politicamente o Clã Brunini. A solução é buscar na bolha da extrema direita no interior os votos que não encontra mais fácil à disposição em Cuiabá. Dona Samantha faz uma campanha que imita a performance do marido: zero propostas e 100% de discurso ideológico, com ataques de sempre ao PT e ao presidente Lula. O discurso que a extrema direita se alimenta.

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TRAIÇÃO VELADA AO CANDIDATO DO SEU PARTIDO

O prefeito de Cuiabá, Abilio tem evitado declarar apoio formal a Wellington Fagundes (candidato do PL ao governo de Mato Grosso), o que gera grande atrito interno, mas ele nega que esteja traindo o partido ou que vá se posicionar abertamente contra qualquer um dos lados.

Postura de “Neutralidade”: Abilio afirma publicamente que mantém lealdade ao PL e que não fará declarações formais contrárias à legenda ou a Wellington Fagundes. No entanto, ele tem evitado subir em palanques de campanha declarando voto em Fagundes, adotando uma postura de distanciamento institucional.

Chegado de Pivetta: O prefeito possui uma relação de amizade e forte proximidade administrativa com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), com quem tem dividido agendas oficiais e entregas em Cuiabá. Essa convivência frequente faz com que ele apareça mais publicamente ao lado de Pivetta do que do candidato do seu próprio partido, alimentando os rumores de racha político.

PALAVRA DO PASTOR

Justiça seja feita, logo no início do processo eleitoral da eleição de 2024, o pastor Marcos Ritela fez um alerta: ele afirmou que Abilio Brunini não tinha preparo emocional para ser prefeito de Cuiabá. Uma crítica vinda de uma liderança religiosa e politicamente ligada à direita.

Hoje a palavra do pastor soa como um presságio ignorado, para azar de Cuiabá. Sim, durante o período de pré-campanha para a prefeitura de Cuiabá, o pastor Marcos Ritela declarou que Abilio precisava se “preparar”, afirmando que ele tinha um perfil “doido” e que não possuía as condições de diálogo e gestão necessárias para assumir o cargo de prefeito da capital de Mato Grosso. Ou seja, não foi por falta de aviso que Cuiabá acabou caindo no Abismo.

Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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