Em todas as eleições no Brasil, o eleitor toma conhecimento dos resultados de dezenas de pesquisas eleitorais. Os números dessas pesquisas mostram a intenção de votos dos eleitores naquele momento, quando a pesquisa está sendo feita. Sejam quais forem os números obtidos, eles refletem exclusivamente a intenção de votos no período em que a pesquisa foi feita. E elas são feitas em diferentes momentos antes das eleições, porque há inúmeras circunstâncias que podem alterar, ao longo da campanha eleitoral, a vontade do eleitor.
Entre todos os candidatos com nomes vitoriosos nas pesquisas e derrotados nas urnas, estão os candidatos ao Senado, especialmente, como é o caso das eleições deste ano, quando são renovados dois terços do Senado Federal, isto é, quando o eleitor precisa escolher os nomes de dois candidatos. Há na história das pesquisas ao Senado candidatos que lideravam todas as pesquisas, mas perderam na hora do voto.
Há no Brasil inúmeros exemplos de candidatos que lideravam as pesquisas e foram derrotados nas urnas: Eduardo Suplicy em São Paulo, por exemplo, liderava para o Senado em São Paulo em 2018 e terminou em terceiro lugar. No Rio de Janeiro, no mesmo ano, Cesar Maia liderava as pesquisas, mas perdeu quando as urnas foram abertas; Beto Richa, ex-governador do Paraná, também liderava as pesquisas e perdeu; outro candidato paranaense que liderou pesquisas ao Senado e perdeu foi Roberto Requião.
Sobre as diferenças entre resultados das pesquisas e os resultados das eleições, um exemplo famoso em Cuiabá é a pesquisa da Quest Diagnostics, um dos mais importantes institutos de pesquisa do Brasil. Em 2024, nas eleições para prefeito de Cuiabá, pesquisa Quest apontava que Eduardo Botelho teria 31% dos votos, Abilio Brunini, 25% e Lúdio Cabral 21%. As eleições terminaram com Abílio Brunini em primeiro lugar, com 39,61% dos votos; Lúdio Cabral em segundo, com 28,31% e Eduardo Botelho em terceiro, com 27,77%, de favorito nas pesquisas a fora do segundo turno.
Entre as possibilidades de os resultados das pesquisas não coincidirem com os resultados das urnas está, por exemplo, o comportamento de eleitores que preferem, por cautela, dar um nome do candidato ao pesquisador sem revelar de fato em quem ele vai votar. Há ainda eleitores que, por diferentes motivos, mudam de candidatos no momento do voto. E, claro, tem ainda as denúncias de última hora, o que pode alterar preferências declaradas no ato das pesquisas.
Em situações polarizadas e ameaçadoras como as que se apresentam em regiões com alto número de extremistas, como é o caso de Mato Grosso, o eleitor ao receber uma ligação de um instituto de pesquisa ou ao ser interpelado por um pesquisador, ele não sabe exatamente com quem ele está falando. Se ele tem medo de falar ou fica envergonhado, ele acaba por falar um nome que ele acha que o pesquisador gostaria de ouvir.
O que costuma surpreender nas eleições são os chamados eleitores indecisos, aqueles que disseram ao pesquisador que ainda não definiram seu voto. Embora classificado como indeciso, muitas vezes este eleitor sabe para que vai dar o seu voto, mas prefere não falar. Ou não sabe, está realmente indeciso e somente vai decidir muito próximo das eleições, quando não dá mais para saber sua intenção de voto.
Salvo os indecisos, que não são poucos, há aqueles que vão às urnas geralmente com primeiro nome do candidato ao Senado já decidido, mas o segundo nome não. Se definir o primeiro voto a senador parece ser mais simples, o segundo nome está sujeito a muitas possibilidades: escolher um nome ligado ao candidato a presidente, por exemplo. Escolher alguém contrário ao primeiro nome escolhido.
Um outro problema, é aquele eleitor que indicou sua intenção de voto na pesquisa, depois votou em branco, se absteve de votar ou anulou o voto. Nas pesquisas, indicar um nome não significa, necessariamente, que o nome que está à frente é o que vai ser o eleito. Vale aqui lembrar que votar duas vezes no mesmo candidato, conforme a legislação anula o segundo voto.
Entre as diferentes situações que levam o eleitor a votar em nomes diferentes daqueles indicados na pesquisa, a interpelação do pesquisador pode surpreender o eleitor pesquisado, que fala espontaneamente o primeiro nome que vem à sua cabeça, mas depois de refletir vota em quem acha que deve votar. É o voto que vale.
Além do comportamento do eleitor, há pesquisas com metodologias discutíveis, mal-intencionadas, cujo propósito é influenciar o voto do eleitor, pesquisas que até podem influenciar eleitores, mas o voto na urna não é controlável pela intenção de voto declarada nas pesquisas.
A controvérsia nos resultados das pesquisas e das urnas não é somente decorrente do comportamento do eleitor. Há, tecnicamente, o problema relativo à margem de erros em uma pesquisa, que varia, a depender do método adotado, entre 2% e 3%, para mais ou para menos. Nesse caso, um candidato que aparece em terceiro ou quarto lugar, dentro da margem de erro ninguém sabe se essa margem é para menos ou para mais. Respostas, somente quando as urnas estiverem abertas e os votos oficialmente declarados.






















