Com uma população de aproximadamente 12 mil habitantes e uma história de mais de um século, Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, conhece a importância das articulações políticas para viabilizar investimentos em serviços públicos e infraestrutura.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a receita bruta do município alcançou R$ 121,5 milhões em 2025, o dobro da receita registrada em 2020, de R$ 59 milhões. O crescimento das receitas, por si só, não demonstra a efetividade de uma administração, mas ajuda a dimensionar os recursos disponíveis para atender às demandas da população.
É nesse contexto que se insere a atuação do prefeito Dr. Thiago Almeida (União Brasil). Em menos de dois anos de mandato, mais da metade dos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral já foi cumprida. O prefeito atribui parte dos resultados alcançados às parcerias estabelecidas com deputados estaduais, federais e senadores.
Essa articulação também aparece na comunicação política do prefeito. Dr. Thiago utiliza suas redes sociais para apresentar à população os representantes que contribuem com o município. A iniciativa inclui até uma camiseta com nomes e fotografias dos integrantes do chamado “Time que trabalha por Livramento”.
A estratégia evidencia uma característica de sua comunicação: o reconhecimento público dos parceiros políticos e a associação dessas parcerias às ações realizadas no município. Mais do que engajamento de campanha, as ações são uma forma de prestar contas do trabalho dos agentes públicos.

Na capital mato-grossense, o prefeito Abílio Brunini (PL) também participa ativamente do processo eleitoral, mas com uma prioridade política distinta. Abílio assumiu publicamente o papel de coordenador da candidatura de sua esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), à Assembleia Legislativa. Em agosto, por conta do desgaste da gestão em Cuiabá, Abilio acompanhou a esposa-candidata em agendas pelo interior de Mato Grosso atrás dos votos que podem faltar na capital. Com o cinismo de sempre, ele afirmou que pretendia conciliar a campanha com suas responsabilidades administrativas, concentrando as atividades eleitorais principalmente nos fins de semana. Na prática, abandonou os cuiabanos à própria sorte.
As duas situações colocam em discussão uma questão importante: qual deve ser o papel das articulações políticas de um prefeito? É legítimo que gestores tenham preferências partidárias, apoiem candidaturas e participem do processo eleitoral. Também é legítimo que estabeleçam alianças para ampliar sua capacidade de articulação institucional. O ponto central é compreender como essas escolhas se relacionam com as responsabilidades do cargo e com as entregas para a população.
A atuação de Thiago Almeida, conforme apresentada em suas manifestações públicas, oferece um exemplo de comunicação voltada ao reconhecimento de diferentes parceiros políticos. Já a participação de Abílio na campanha da dona Samantha Iris coloca em evidência a necessidade de distinguir os interesses eleitorais familiares das responsabilidades institucionais da Prefeitura de Cuiabá. Os cuiabanos não são prioridade de Abilio.
Uma eleição é disputada entre candidatos e projetos políticos, mas a administração pública deve atender a todos.
Quando um prefeito assume o cargo, passa a representar também aqueles que não votaram nele. Os recursos públicos pertencem à coletividade, e sua aplicação deve obedecer ao interesse público, independentemente da origem partidária de quem os viabilizou.
Em municípios de diferentes portes, essa responsabilidade é a mesma. As divergências ideológicas não podem impedir o diálogo institucional, assim como as alianças eleitorais não devem determinar quem terá acesso aos serviços públicos.























