É o voto que manda para casa os maus políticos, quem fez malfeitos e acredita, por conta da desinformação dos eleitores, que o crime compensa. No fundo, o eleitor de Mato Grosso sabe: mandato parlamentar não existe para enriquecer políticos e seus amigos ou para ganhar imunidade. O voto em candidatos investigados contribui para ampliar a corrupção e para fortalecer a desconfiança da população na política.
Da Redação
Todo eleitor, com certeza, em algum momento de sua vida se perguntou: para que serve um deputado? Para que serve um senador? A resposta é muita simples, ou pelos menos deveria ser: deputados e senadores são eleitos pelo povo para cuidarem dos interesses dos seus eleitores. Simples assim. Para isso, quando um político é eleito, ele tem salários, benefícios financeiros diversos e uma estrutura de funcionários pagos com recursos públicos para ajudá-lo no atendimento às necessidades da população.
Os eleitores sabem disso, e o candidato também sabe que é isso que os eleitores esperam dele. Por conta desse entendimento, a campanha eleitoral é um cenário de propostas, planos, promessas, mentiras e acusações contra os adversários. E tem sempre aqueles candidatos que colocam Deus no discurso para se mostrar piedoso, devoto, procura mostrar-se como um homem de fé. Não há cara de pau mais visível do que essa. É Deus no discurso e diabo nas ações. As campanhas sempre revelam os investigados, os mal-intencionados, os que se enriquecem dizendo-se do lado do povo.
São os políticos aproveitadores que manipulam a boa-fé do povo. Esse tipo há em todos os lugares. Em Mato Grosso também. Há grandes exemplos no Brasil de políticos eleitos para atender as demandas da população, mas usaram o poder adquirido pelo voto para se enriquecer ilegalmente.
Quem não se lembra o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, do deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, condenado por receber propina, e depositar em contas secretas no exterior. Tem ainda os notáveis corruptos como, por exemplo, ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, para ficar no exemplo mais famoso. Mato Grosso corre o risco de criar, nesta eleição, um Paulo Maluf Pantaneiro: roubou mas fez. No fundo, o eleitor sabe que esse voto tem um custo e uma consequência danosa para ele mesmo.
Estes exemplos nacionalmente conhecidos e os investigados nestas eleições mostram que é preciso muito cuidado na hora de votar para não cair no canto da sereia. A questão é: por que o voto é tão importante? Porque não é um ditador estrangeiro, mito preso ou Vorcaro quem decide os nomes dos deputados e senadores que irão compor o Legislativo, mas o povo, os eleitores.
Deputados estaduais, federais e senadores fiscalizam no Poder Legislativo o que os governadores e presidente estão fazendo, criam projetos e leis que possam beneficiar a população. Há, portanto, duas perguntas básicas para o eleitor fazer antes de dar o seu voto: Qual é a folha corrida deste candidato que pretendo votar? Ele se enriqueceu no serviço público? Pensou mais nos familiares e amigos e menos em quem o tornou vitorioso nas urnas?
Por esta força do voto, vem a frase de que na democracia o povo é soberano, mas tem muitos políticos que usam o voto dos eleitores que acreditaram nele para exercer o poder e se enriquecer. Mas votar também é um ato de cidadania, de civismo, porque é no voto que eleitor exerce um direito que foi ao longo da história adquirido depois de muita luta, no mundo todo.
Votar e dizer às autoridades eleitas que o eleitor quer participar das definições de políticas públicas, e que o voto recebido é um termo de compromisso do candidato escolhido. É pelo voto que o eleitor pode trocar quem não trabalhou e manter no mandato aqueles que de fato lutaram para as melhorias tão desejadas. Tem outro ponto muito importante: o voto do rico vale tanto quanto vale o voto do pobre. Por isso, olhar para as necessidades do seu grupo social e escolher aqueles candidatos que realmente estão comprometidos com a população.
Político eleito, se for deputado estadual ou federal fica no mandato por quatro anos. Se for senador, oito anos. Pode ser reeleito uma vez, duas vezes ou mais. O parlamento existe para apoiar as decisões que favorecem o conjunto do povo brasileiro, venha de um projeto do Executivo ou do próprio parlamento. Discordar e não aceitar propostas é também um papel importante do parlamento. Seja qual for a decisão, o verdadeiro foco dos parlamentares tem que ser a população, seu bem-estar e progresso, não os interesses pessoais e econômicos dos parlamentares e seus apoiadores.
O bom político ganha com a reeleição, um reconhecimento pelas entregas, honrando o voto dado. Já a eleição ou reeleição dos maus políticos, eles ganham recebendo propinas, ficando com uma parte dos salários de funcionários dos gabinetes – as famosas “rachadinhas”, lavam dinheiro de origem não declarada, abrem empresas em nome de familiares ou de laranjas para prestar serviços para órgãos públicos. O noticiário mostra que a criatividade para levar vantagem não falta, já para cumprir as promessas feitas, a escassez de criatividade é total.
Diante de tantas denúncias de corrupção, muitos eleitores brasileiros desconfiam dos políticos, não acreditam no que eles falam. Uma das formas do mau político esconder o descompromisso com a população é promover a polarização de ideias, jogar com a paixão e a fé do eleitor, como se isso fosse resolver o problema do país. Isso costuma esconder as malversações que o político faz e fortalecer o seu poder junto a uma parte do eleitorado. Para o país, não acrescenta nada.
Embora a desconfiança persista, os maus políticos desenvolvem artimanhas para manter o eleitorado fiel. O que o eleitorado não sabe é que as gentilezas e pequenos favores são na verdade formas de sugar a energia do eleitor. Mas a política não é um ambiente necessariamente corrupto. Dá para evitar ou reduzir a corrupção votando em bons políticos.
A política é importante para definir os rumos do país, as obras que precisam ser feitas, onde faltam investimentos, o que precisa melhorar. Mas cada vez que são eleitos políticos sob suspeita, investigados por enriquecimento ilícito, mais distante ficamos das soluções de nossos problemas.
Apesar de uma certa visão pessimistas do eleitor, lideranças podem ser endeusadas. E quando estas lideranças estão sob suspeita, são investigadas, a sociedade dá muitos passos para trás, gasta-se energia e dinheiro para investigar e corrigir os passos maldados pelos políticos descomprometidos com o povo e comprometidos com os seus familiares e grupo político.
Um ponto importante: política não é paixão, embora ela exista, não se vota por estar seduzido ou apaixonado por ideias aleatórias, apaixonantes, nem porque ganhou uma cesta de Natal. Vota-se em quem demonstra de fato compromisso com a vida do povo, especialmente dos mais vulneráveis. Se não for assim, a vida que muda para melhor é sempre a dos maus políticos. Pelo menos até ele ser comprovada a sua culpa e condenado.
Se tiramos a paixão, a polarização, os agrados da boca para fora que muitos políticos são experts, é o cotidiano que deve balizar o voto dos eleitores: as escolas dos filhos, ofertas de emprego, salários justos, inflação, assistência médica, agricultura familiar, apoio a empreendedores, entre tantas outras necessidades. É isso que é preciso considerar na hora do voto. Tem políticos que passam anos em algum cargo eletivo cuidando prioritariamente de seus interesses, sem nenhum projeto que objetivamente atenda a população. Olhar para isso e dizer não para eles, é olhar para um futuro melhor.
























