Dois de todos os candidatos de Mato Grosso ao Senado Federal e os seus respectivos suplentes serão eleitos para exercerem um mandato de senador por oito anos consecutivos. Quer dizer, os eleitos ingressam no parlamento em 2027 e lá permanecem até 2034.
Nos próximos oitos anos, os senadores eleitos deverão cumprir as promessas feitas durante a campanha. Alguns tentarão realimentar a esperança dos eleitores com novas promessas – há muitos exemplos assim. O desejo da maioria dos mato-grossenses é ver Mato Grosso avançar, com escolas públicas com mais qualidade, saúde para todos, emprego e renda para a população e menos desigualdade social. Não é pouca coisa, mas é fundamentalmente o que o Brasil precisa.
Quando os eleitores elegem um candidato ao Senado Federal, em troca de palavras bonitas e promessas, muitas vezes feitas ao vento, entregam ao parlamentar eleito um mandato de oito anos com direito a muito poder, a imunidade parlamentar e ganhos anuais, entre salários e benefícios, de aproximadamente 120 mil reais por mês. Em um ano, cada senador custa cerca de 1,5 milhão para o país. Em oito anos, 12 milhões de reais.
O senador que será eleito precisa mostrar serviço. Mas, oito anos é muito tempo para não fazer nada ou quase nada para a população do estado, e tem parlamentares com este currículo. É também muito tempo para beneficiar amigos, financiadores de campanha e correligionários. Por outro lado, é pouco tempo para atender a todas as necessidades sociais, econômicas, de saúde e de educação da população. Por isso o senador eleito precisa trabalhar muito.
Se o seu filho ou filha estiver em 2027 com 10 anos, aos dezoito, quando atingir a maioridade, o senador eleito ainda vai estar lá no Senado, defendendo e trabalhando, ou não, nem defendendo nem trabalhando para Mato Grosso. Se durante o mandato ele não cumprir o que prometeu, ele vai estar lá, recebendo seus salários e benefícios.
Agora imagine uma criança que vai nascer em 2027, será um recém-nascido, um bebê, vai aprender a sorrir, engatinhar, andar, balbuciar as primeiras palavras e depois falar. Oito anos depois, já estará nos primeiros anos do Ensino Fundamental. E o mesmo senador eleito também estará lá no Senado. Trabalhando ou não por Mato Grosso e pelo Brasil.
As responsabilidades de um senador e o seu poder na República é proporcional ao que a palavra senador ostenta, por isso estar no Senado é o objeto de desejo de todo político. O Senado tem entre suas atribuições julgar e processar as maiores autoridades do Brasil, aprovar ou não os indicados pelo presidente para cargos relevantes, autorizar operações financeiras para União, estados e municípios, entre outras atribuições relevantes.

CANDIDATOS INVESTIGADOS PELA POLÍCIA FEDERAL
Titulares ou suplentes, os candidatos ao Senado poderão ser eleitos mesmo sendo investigados pela Polícia Federal. O voto nestes candidatos, se eleitos, garante uma sobrevida política, poderão ter os melhores advogados do país, e por força do poder político adquirido pelo voto, poderão arrastar os eventuais processos contra eles por um longo tempo. E a depender de quem estará à frente das investigações, o processo poderá simplesmente ser arquivado.
O que alimenta a esperança dos brasileiros por um país mais humano e menos desigual, não são os extremistas, estes pensam só neles, nas suas crenças e nas pessoas que os rodeiam. Não são também os eleitos que se acomodam em suas mansões, com almoços e jantares em Brasília. Muito menos os investigados, estes dedicam o seu tempo para buscar formas de se proteger das investigações e ampliar o capital político e financeiro. E tem aqueles que entram na política e se candidatam ao Senado para fazer diferença, para trabalhar pelo coletivo. Sim, há candidatos assim. As eleições são neste domingo. É só prestar atenção.
























