Assessoria Câmara de Cuiabá

A vereadora por Cuiabá Maysa Leão (Republicanos) acredita que o primeiro passo para reverter a cultura do machismo dentro dos partidos políticos é que seus dirigentes se assumam machistas e trabalhem a desconstrução dessa prática cultural. Na avaliação da parlamentar, propostas como a PEC da Anistia e ou decisões partidárias adotadas sem a presença de líderes femininas corroboram para que mulheres se afastem da política.
Durante entrevista ao Jornal da Cultura 90.7 FM, desta sexta-feira, com Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, a vereadora Maysa Leão pontuou que muitas das decisões partidárias passam pelos líderes que comandam as siglas sem a participação feminina, sendo que a mulher ainda é vista como “um corpo estranho”.
“Primeiro precisamos que os partidos e os componentes se assumam machistas. Porque há uma dificuldade em nossa sociedade quando a gente fala que vivemos em uma sociedade machista e patriarcal. Eu não sou machista, é a primeira resposta que homens e mulheres fazem. E nós somos todos machistas em desconstrução, não tem como. A gente foi criado machista”, respondeu Maysa Leão, à pergunta feita pelo jornalista do PNB Online, Pedro Pinto de Oliveira.
Se não tivesse esses 30% eu não seria joia rara eu seria joia descartada, eu seria bijuteria. E isso é real porque eu vivo ali dentro.
Um exemplo citado pela vereadora foi a da recente informação de que seu partido pode vir a ter candidatura própria à Prefeitura de Cuiabá no próximo ano, sem que essa possibilidade fosse discutida em reunião.
“Eu vejo que, se é ventilado na mídia que existe já um candidato, que existe já um caminho e a mulher atuante, que faz parte dessa cúpula não foi informada oficialmente, está aí o machismo estrutural. É que foi em um happy hour, é que foi em um fim de tarde, é que foi em um churrasco. Então os partidos são machistas, nosso país tem uma cultura machista e a gente precisa primeiro se assumir para depois entender como é que a gente vai quebrar e fazer uma contra cultura”, pontuou.
Para Maysa Leão, a concentração do poder de tomada de decisão dos partidos políticos apenas aos homens, sem equidade de gênero, e a admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional que anistia partidos que não aplicaram o mínimo em campanhas femininas – chamada de PEC da Anistia, são alguns dos fatores que corroboram para que as mulheres não entrem na política.
“Eu, sendo uma mulher com votos, hoje eu sou joia rara, porque os partidos precisam de 30% de mulheres com votos dentro das chapas, senão as chapas afundam. Se não tivesse esses 30% eu não seria joia rara, eu seria joia descartada, eu seria bijuteria. E isso é real porque eu vivo ali dentro. A gente olha os dirigentes partidários, eles se incomodam muito com esse tipo de declaração, mas vamos olhar a estrutura dos partidos. Quantas presidentes mulheres nós temos lá na cúpula do partido?”, questionou a vereadora.
Na avaliação da parlamentar, o descumprimento à legislação eleitoral não deve ser anistiado, mas sim punido. “E eu sou contra a anistia, porque isso parece assim: vem cá meu filho, você fez tudo errado, mais papai vai te dar um afago. Precisa pagar sim aqueles que não cumpriram para que se aprenda a cumprir”.
PEC da Anistia
Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal aprovou a admissibilidade da proposta, que ainda passará por análise em comissão especial.
O aval foi dado com 45 votos a favor e 10 contra, em votação nominal. A PEC contou com a articulação tanto aliados do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 2022, as siglas receberam quase R$ 5 bilhões dos cofres públicos para o fundo eleitoral. Outro R$ 1 bilhão foi distribuído para 24 partidos por meio do fundo partidário.
A PEC também anistia as legendas que descumpriram a cota mínima de recursos ou por não destinarem os valores mínimos para candidaturas de negros e mulheres em eleições passadas.
























