Lucas Figueiredo/ CBF

Diz a clássica piada sobre a principal diferença entre o brasileiro e o argentino: a Argentina não consegue esquecer e o Brasil não consegue lembrar.
Cuidar do passado, mesmo do passado recente, é sempre uma dificuldade no Brasil. Bate de frente com o “jeitinho brasileiro” do deixa como está para ver como fica, além do pavor e pudor de que qualquer gesto pareça vingança, e não a necessária busca pela justiça.
O governo Bolsonaro termina com mais um gesto de não lembrar, de não agir com relação aos responsáveis por crimes cometidos no passado.
Especialmente com a justificativa de que não se pode lembrar e punir os crimes cometidos pelos militares na última ditadura que o Brasil esteve submetido.
O jornalista Lucas Neiva, do site Congresso em Foco, registra a ação de manter no Buraco da Memória a tortura e assassinatos cometidos durante a ditadura militar no país:
Por quatro votos a três, os membros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos, determinaram a extinção do próprio colegiado, responsável por identificar as vítimas de ações dos governos durante a ditadura militar (1964-1985). Para ganhar efeito, a ata ainda será assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, que publicará um decreto com a extinção. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O governo Bolsonaro termina com mais um gesto de não lembrar, de não agir com relação aos responsáveis por crimes cometidos no passado.
Os quatro votos favoráveis ao fim do colegiado vieram de aliados do presidente. Marco Vinícius Pereira de Carvalho, presidente da comissão, foi indicado pela ex-ministra Damares Alves. Jorge Luiz Mendes de Assis compõe a equipe na condição de representante das Forças Armadas. Filipe Barros (PL-PR) representa a Câmara dos Deputados pelo mesmo partido do atual governo, e Paulo Fernando Melo Da Costa é filiado ao Republicanos, partido do vice-presidente Hamilton Mourão.
Além de identificar as vítimas da ditadura, o colegiado criado em 1995 também é responsável por localizar seus corpos e indenizar os respectivos familiares. Bolsonaro já pretendia encerrar a comissão como meta de seu governo, e o grupo já estava inativo desde o último mês de junho. A deputada Maria do Rosário (PT-RS), coordenadora do grupo de trabalho em Direitos Humanos do gabinete de transição, já anunciou que o novo governo pretende retomar os trabalhos.
Outros crimes de passado recentíssimo também precisam ser investigados e os responsáveis devidamente punidos. Não é vingança pessoal ou política, lembrar é uma questão de justiça, simples assim. A política da morte praticada pelo presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia é um crime que precisa ser lembrado e julgado em todas as instâncias legais e políticas. Se o Brasil continuar esquecendo o passado vai continuar sem futuro. Preso à piada tragicômica que marca a diferença em relação aos hermanos argentinos para além do futebol de Messi e Neymar.





















