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ARTIGO

Advocacia Pro Bono e o impacto positivo na saúde mental dos advogados

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A advocacia pro bono é a prestação gratuita de serviços jurídicos a indivíduos e organizações carentes, com o objetivo de garantir que todos tenham acesso à justiça, independentemente de sua situação financeira. É sinônimo de justiça social e igualdade social. Forte e desafiadora, deveria estar na pauta de todos os advogados.

 

No entanto, além de seu impacto direto na área legal, a prática do pro bono também está intrinsecamente ligada à saúde mental, especialmente quando consideramos o contexto do “Setembro Amarelo”, um mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental. Pois, além de seus benefícios legais óbvios, a advocacia pro bono tem um aspecto negligenciado: seu impacto positivo na saúde mental dos próprios advogados.

 

Em 1991, a Ordem dos Advogados dos EUA (American Bar Association – ABA) abordou o crescente problema das consequências do estresse no sistema jurídico em uma conferência intitulada “At the Breaking Point” (“No Ponto de Ruptura”, numa tradução livre). O relatório produzido a partir da conferência identificou a tendência crescente de insatisfação no trabalho e um declínio na saúde física e mental dentro da profissão de advogado (ABA, 1991). O relatório concluiu que a tendência era uma ameaça significativa ao bem-estar dos advogados e escritórios de advocacia em todo aquele país.

 

Em 2018, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional publicou o Provimento 186, que criou o Plano Nacional de Prevenção das Doenças Ocupacionais e de Saúde Mental da Advocacia. O movimento foi seguido no mesmo ano da publicação da primeira edição da Cartilha da Saúde Mental da Advocacia, que em setembro de 2021 teve sua terceira edição atualizada.

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As taxas surpreendentes de depressão, abuso de substâncias e burnout entre os advogados, no entanto, não afetam apenas eles próprios, mas também ameaçam a integridade de todo o sistema jurídico, pois tornam os advogados menos capazes de realizar seus trabalhos e proteger os interesses de seus clientes adequadamente. Portanto, é de extrema importância compreender a magnitude do problema e suas consequências para os profissionais do direito e a comunidade.

 

O trabalho pro bono desenvolvido através do Instituto Mario Cardi Filho, por exemplo, que atende a pessoas de baixa renda com câncer e mais recentemente autismo; permite não somente ajudar pessoas e trazer esperança, mas também traz para advogados e voluntários envolvidos, uma sensação profunda de realização pessoal e propósito.

 

Um benefício adicional é o desenvolvimento de competências interpessoais. Lidar com uma variedade de clientes e situações em casos pro bono aprimora as habilidades de comunicação e empatia. Essas habilidades não apenas tornam um advogado mais eficaz, mas também melhoram as interações pessoais.

 

A advocacia pro bono também desempenha um papel fundamental no combate ao estigma relacionado aos problemas legais e sociais, frequentemente ligados a questões de saúde mental. Ao fornecer assistência legal gratuita a pessoas carentes, o operador do direito contribui para a resolução de problemas que podem afetar a saúde mental de toda uma sociedade, como a falta de moradia, o acesso a serviços de saúde e a discriminação.

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Os advogados pro bono também podem desempenhar um papel importante na conscientização sobre questões legais e sociais que afetam a saúde mental, educando a comunidade sobre seus direitos e recursos disponíveis.

 

Em conclusão, a advocacia pro bono e o Setembro Amarelo são duas iniciativas que, quando conectadas, podem ter um impacto positivo na sociedade e na saúde mental de indivíduos e advogados. A união dessas duas causas demonstra o potencial transformador do direito quando alinhado com a preocupação genuína do bem-estar humano. Ao cuidar dos outros, também cuidamos de nós mesmos, promovendo uma sociedade mais justa e emocionalmente saudável.

 

Ussiel Tavares é advogado, foi presidente da OAB-MT por dois mandatos, ex-procurador geral de Cuiabá. É presidente da Comissão Especial da Advocacia Pro Bono da OAB Nacional, presidente do Instituto Mário Cardi Filho e defensor da Advocacia Pro Bono.

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