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ARTIGO

Data de Validade Vencida

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Quantas pessoas vivem de felicidades adiadas, escondidas entre os próprios desejos, empurrando os dias como se a vida fosse um depósito de prazeres estocados. Guardam sentimentos como mercadoria rara, arquivados no coração, que com o tempo se transformam em angústia, solidão e fuga dos relacionamentos. Vivem como se o isolamento fosse o combustível para alcançar um objetivo incerto. Mas alegria não se estoca — se adiada, pode apodrecer. Um dia, ao procurá-la, pode já estar com a validade vencida.

Viver em estado de alegria é assumir que esse tipo de “embriaguez lúcida” nos dá uma visão otimista da vida — de que tudo vai dar certo. Já a tristeza distorce tudo, fazendo-nos enxergar apenas o que pode dar errado. E nessa polarização, o entendimento se perde, tanto dos momentos quanto das relações.

É certo que pessoas alegres recebem bênçãos mesmo nos dias difíceis. Elas enxergam o lado bom da vida, valorizam o que funciona, e isso atrai mais alegria, mais gente do bem, mais oportunidades. O universo conspira, sim. É como se, ao abrir a janela, o dia já estivesse ali sorrindo, oferecendo mil possibilidades feitas sob medida — mas só se você fizer a sua parte: ir ao encontro do prazer de viver. Porque, muitas vezes, a alegria te procura… mas não encontra o teu endereço. E quando isso acontece, o isolamento te transforma num ser invisível, desprezível e esquecido.

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O prazer de viver está nas pequenas e grandes coisas. Há muitos caminhos para encontrá-lo, mas nem todos são seguros. Alguns são disfarces, armadilhas perigosas: vícios que prometem alegria e entregam ruína; prazeres insaciáveis que nunca preenchem; amores errados que machucam; desejos proibidos que corroem; ódio aos diferentes; preguiça de pensar, de sentir, de evoluir.

Mas também há as portas certas. Elas conduzem à verdadeira alegria e estão sempre abertas — embora exijam de nós mais coragem. Nelas habitam sentimentos nobres: o amor; a empatia; a busca por um mundo mais justo; o dom de oferecer o melhor de si, sem medo do reconhecimento; a honra como segunda pele; a honestidade mesmo nas coisas pequenas; a sensibilidade em aliviar a dor alheia. Essas são as verdadeiras rotas da felicidade. Todos as conhecem. Só que elas exigem esforço, entrega, visão além do próprio umbigo.

Muitos caminham na contramão, tentando ser felizes sozinhos, com uma visão egoísta da vida. E assim, perdem de vista o que é realmente valioso. Todos temos dois lados: um que cura e outro que fere. O segredo é alimentar o lado santo — e deixar o lado pecador em silêncio.

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Viver é ter um propósito. É a partir dele que brota a força para encarar a rotina, suportar os ventos contrários, superar os obstáculos. Mas não se pode sacrificar todos os momentos doces da vida em nome de um único objetivo, sobretudo se for apenas o sucesso material.

Nunca anule sua vontade, nem sua essência, por um amor que só prende. Nunca abandone o que é bom, em nome de um isolamento. Um dia, sua alma pode amanhecer vazia. E quando for procurar a felicidade… talvez ela já tenha passado do prazo de validade e desistido de você.

Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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