O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) usou a tribunal da Assembleia Legislativa (ALMT) para reclamar da criação do Parque Estadual da Serra Ricardo Franco. Em sua fala, o bolsonarista chamou de irresponsável quem assinou o decreto 1.796, de novembro de 1997, que criou o parque em Mato Grosso. O decreto foi assinado pelo ex-governador Dante Martins de Oliveira.
“Quando se fala em avançar sobre o parque, quem avançou sobre o parque foi o irresponsável ao fazer um decreto quando as pessoas já estavam naquela área. Tomando ou invadindo a propriedade dos outros. Esses sim invadiram, porque aqueles que estavam ali antes disso”, afirmou Cattani durante a sessão matutina desta quarta-feira (18.10).
O argumento do deputado é na defesa pela aprovação do projeto de decreto legislativo que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, localizado em Vila Bela da Santíssima Trindade. Desde o início do mês, Cattani vem cobrando a votação da matéria. Mas um acordo entre o Ministério Público, Assembleia Legislativa e Governo do Estado deve resultar na apresentação de um novo projeto que prevê o mapa atualizado da área e, com isso, o PDL que propõe a extinção do parque deve ser arquivado.
No dia 04 deste mês Cattani chegou a apresentar um requerimento para que o projeto fosse votado em regime de urgência. O deputado bolsonarista argumenta que a área de amortização avança para a área do Assentamento Ritinha, em Vila Bela, e inviabiliza a agricultura na região e a economia do município.
“Quando se fala sobre acabar com o parque não passa de uma falácia de pessoas que jogam na mídia uma retórica para que justamente a mídia fale que vamos acabar com o parque. Está muito claro. O parque tem sim que ser preservado, mas tem que ser respeitadas as pessoas que ali vivem até 40 ou 50 anos antes do parque”, declarou Cattani.
Apesar da justificativa do deputado, um estudo realizado sobre o potencial turístico do parque demonstra que a perda econômica com a extinção vai ser, no mínimo, duas vezes maior que a renda gerada pelo agronegócio.
Enquanto a extinção representa uma perda entre R$ 18,7 milhões e R$ 56,2 milhões, em relação ao segmento do turismo, estima-se que os retornos adicionais com a expansão da pecuária sejam de R$ 9 milhões anuais. O PL tramita há anos na Assembleia Legislativa e já foi aprovado em primeira votação.
O estudo demonstra que somente em termos de visitação, o valor potencial perdido ultrapassa R$ 19 milhões/ano. O levantamento de 2018 feito por pesquisadores associados – e conduzidos por Carlos Eduardo Frickmann Young, consta no livro ABC do Guaporé: Água, Biodiversidade e Biotecnologia, que é fruto do trabalho de uma equipe de 62 pesquisadores.























