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Crise no mercado de trabalho formal leva jovens de MT a empreender

A maior parte desses empreendedores atua como microempreendedor individual (MEI), que representa 52% do total com CNPJ.

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Diante da escassez de vagas atrativas no mercado formal, jovens de Mato Grosso têm recorrido ao empreendedorismo como alternativa profissional. Levantamento do Sebrae-MT (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), realizado com 1.109 jovens de 18 a 34 anos, aponta que 32% dos empresários do estado estão nessa faixa etária.

O movimento ganhou força após a pandemia. Entre 2021 e 2024, o número de jovens empreendedores cresceu 13%. Atualmente, mais de 160 mil pessoas com até 34 anos comandam negócios próprios em Mato Grosso, segundo a instituição.

A pesquisa, feita entre 3 e 31 de janeiro de 2025 com margem de erro de 4% e índice de confiança de 95%, revela que a principal motivação para empreender é a necessidade financeira — apontada por 80% dos entrevistados. Outros 36% buscam mais autonomia e liberdade financeira, enquanto 31% enxergaram um cenário favorável para abrir um negócio.

A maior parte desses empreendedores atua como microempreendedor individual (MEI), que representa 52% do total com CNPJ. As mulheres são maioria entre os jovens empresários, com 52% das respostas.

Embora haja forte presença em redes sociais (75%) e atenção ao marketing digital (31%), os negócios mais comuns entre os jovens são parecidos com os de empreendedores mais velhos. Quatro em cada cinco atuam nos setores de serviços e comércio, com destaque para áreas como beleza e estética, alimentação e bebidas, e transporte e logística.

A diretora-superintendente do Sebrae-MT, Lélia Brun, afirma que o movimento é reflexo da dificuldade de inserção no mercado formal. “Grande parte daqueles que investem em comandar a própria empresa consegue conciliar a pouca bagagem com inovação e conhecimento de novas tendências. Muitos, inclusive, iniciam nos negócios da família e dão continuidade a eles”, afirma.

Entre os principais obstáculos relatados pelos jovens estão a falta de capital de giro (38%), o acesso restrito ao crédito (33%) e os juros elevados (20%). Burocracia e concorrência também aparecem como entraves para 34% e 25% dos entrevistados, respectivamente.

A analista técnica do Sebrae-MT Amanda Alves destaca ainda a inexperiência como um desafio relevante. “Como a maioria dos jovens empreendedores tem situação financeira fragilizada, é fundamental se qualificar para adotar estratégias assertivas e reduzir riscos”, diz.

Segundo o Sebrae, a pesquisa deve orientar as ações da entidade voltadas ao público jovem. Entre os programas citados estão o Startup Garage, Bootcamp, Hackaton e Sebrae Hacking.

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