Como diz o jornalista Antero Paes de Barros, para deixar claro: uma forma de liberdade na democracia comunicada, a contundência só permanece dentro do campo do Jornalismo se estiver ancorada em fatos. Em diálogo com o jornalista e professor de História, Timothy Garton Ash, quando diz que “os fatos são subversivos”, ele não está apenas fazendo um trocadilho charmoso, mas definindo uma postura política e ética. A verdade como ameaça ao poder e aos poderosos de plantão: em sistemas autoritários ou polarizados, só o simples ato de relatar o que aconteceu (quem, onde, quando e como) torna-se um ato de resistência. É a resistência do Jornalismo à censura exercida de forma velada ou expressa pelo poder econômico e político. O fato é subversivo porque ele é teimoso; ele não se curva à ideologia ou à conveniência do governante de turno. A contundência jornalística é um estilo que abraça este compromisso de tratar os fatos de interesse público de forma direta, sem complacência, sem rodeios ou omissões. Ou seja, nada pessoal: forma de comunicação e liberdade, a contundência jornalística tem valor social se estiver ancorada nos fatos.
A questão da contundência no jornalismo toca no âmago da diferença entre a objetividade técnica e a liberdade de expressão. Para entender que ela é uma forma de “jornalismo livre”, precisamos analisar como esse estilo se encaixa na ética e na prática profissional dos jornalistas.
1. O que define a contundência?
No jornalismo, ser contundente significa ser incisivo, direto e, muitas vezes, combativo. Não se trata apenas de dar a notícia, mas de expô-la com uma força retórica que não deixa margem para ambiguidades.
O foco: Geralmente é utilizada para cobrar autoridades, denunciar injustiças ou expor contradições flagrantes. É em acordo com contexto contemporâneo de Mato Grosso, por exemplo, em relação à série de denúncias de corrupção que marcam o governo Mauro Mendes.
O risco: A linha entre a contundência (precisão cortante) e o sensacionalismo (agressividade gratuita) é tênue. Mas a distinção é absolutamente visível ao olhar da opinião pública. A notícia que tem o compromisso de alinhar a contundência à verdade dos fatos não opera com o sensacionalismo vazio e barato. A precisão cortante da contundência não prescinde de valores éticos e morais e precisa estar sempre ancorada nos fatos.
2. Contundência como exercício de liberdade
A contundência pode ser vista, sim, como uma manifestação do jornalismo livre por alguns motivos centrais:
Independência editorial: Um jornalista que escolhe termos fortes e diretos para descrever uma realidade dura demonstra que não está preso a interesses dos poderosos que preferem o silencio cúmplice da mídia.
Função Social : O jornalismo tem o papel de ser o watchdog da sociedade. Em contextos de corrupção ou crise humanitária, a neutralidade absoluta pode soar como omissão. Nesses casos, a contundência é a ferramenta que tira o público da inércia, devolvendo a sua capacidade de se indignar.
Pluralidade de vozes: Em uma democracia, o Jornalismo opinativo e o Jornalismo investigativo, ancorados nos fatos, usam a contundência para garantir que temas sensíveis não sejam varridos para debaixo do tapete.
*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista do PNB e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.






















