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Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura: uma gestão que transcende a cor partidária

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Mato Grosso é, há décadas, o maior produtor de grãos e proteína animal do Brasil, e por isso, o Estado responde por parcela decisiva do PIB agropecuário nacional e sustenta, direta e indiretamente, milhões de empregos, sendo assim, a presença de um representante mato-grossense no comando do Ministério da Agricultura e Pecuária não é um detalhe protocolar: é uma questão estratégica para o setor produtivo do Estado.

Carlos Fávaro, senador pelo PSD de Mato Grosso, ocupou o cargo de janeiro de 2023 a março de 2026, totalizando três anos e três meses, tendo sido o representante mato-grossense que mais tempo permaneceu à frente da pasta na história recente, deixando o Ministério para disputar a reeleição ao Senado.

É compreensível que parte significativa da população de Mato Grosso, historicamente identificada com pautas conservadoras e com reservas em relação a governos de esquerda, nutra desconfiança quanto a qualquer ministro que integre uma gestão petista, e, portanto, essa desconfiança é legítima e faz parte do jogo democrático. Contudo, é necessário separar a avaliação do governo como um todo da análise objetiva do que foi realizado, com dados, dentro de uma pasta específica.

Nesta matéria não pretendo defender nem atacar nenhuma força política. O objetivo é registrar, com base em fontes oficiais e dados públicos, o que a gestão Fávaro entregou ao agronegócio brasileiro e, em especial, ao produtor mato-grossense.

Com efeito, Mato Grosso já havia tido representantes em cargos de destaque no governo federal, mas a permanência prolongada de Fávaro no MAPA permitiu algo raro, ou seja: continuidade de políticas. Desse modo, Crédito rural, defesa sanitária, abertura de mercados e infraestrutura de estradas vicinais são agendas que exigem tempo para maturar, sendo certo que trocas frequentes no comando da pasta prejudicam a execução dessas políticas, e o produtor é quem paga a conta.

Ter um gestor que conhece pessoalmente as dificuldades logísticas de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop e Rondonópolis não é trivial; e a interlocução com cooperativas, sindicatos rurais e associações locais se beneficia de um ministro que fala a língua do campo, porque é do campo.

Por conseguinte, o dado mais expressivo da gestão é a abertura de 555 novos mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros em três anos, sendo que esse número é recorde histórico. Além disso, a rede de adidos agrícolas passou de 29 para 40 postos no exterior, ampliando a capacidade de negociação direta com países importadores.

Portanto para o produtor mato-grossense de soja, milho, algodão e carne, cada novo mercado aberto significa diversificação de destinos e redução da dependência de um único comprador. Quando a China impõe restrições pontuais ou quando os EUA elevam tarifas, ter alternativas comerciais não é luxo: é seguro de sobrevivência.

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Ademais, ao longo da gestão, foram executados R$ 1,547 trilhão em crédito rural por meio dos Planos Safra, montante que corresponde a mais que o dobro do governo anterior, tendo o Plano Safra 2025/2026, o último sob sua condução, alcançou R$ 516,2 bilhões, valor recorde.

Além disso, um instrumento relevante foi a criação da linha dolarizada dentro do Plano Safra, com CPR Rural dolarizada, ampliada para R$ 30 bilhões, sendo que, para exportadores de commodities, que operam naturalmente em dólar, essa modalidade de crédito reduz a exposição cambial e o custo financeiro.

Em junho de 2025, o Brasil obteve da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento como país livre de febre aftosa sem vacinação, considerando que foram mais de 60 anos de políticas públicas de erradicação até esse marco. O resultado abre acesso a mercados mais exigentes e mais remuneradores, como o Japão.

Ademais, em dezembro de 2025 foi assinado o contrato para implantação do repositório brasileiro de antígenos da febre aftosa, garantindo capacidade de resposta rápida a eventuais novos surtos. Essa é infraestrutura de longo prazo, que protege o patrimônio pecuário de Mato Grosso diretamente.

Também, foram levantados embargos de 11 das 12 plantas frigoríficas que estavam interditadas para exportação à China, além da habilitação de 43 novas plantas. O acordo com a maior rede de cafeterias chinesas, estimado em US$ 500 milhões e 120 mil toneladas de café, ampliou a pauta exportadora para além de grãos e carnes.

Os programas Caminho Verde Brasil e Eco Invest mobilizaram mais de R$ 50 bilhões para recuperação de áreas degradadas, com aproximadamente 4,5 milhões de hectares reincorporados ao sistema produtivo. O Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) tem meta de recuperar até 40 milhões de hectares em 10 anos.

Para Mato Grosso, onde há milhões de hectares de pastagem de baixa produtividade, esses programas representam a possibilidade de expandir área produtiva sem desmatar, o que fortalece a imagem do Estado nos mercados internacionais e reduz pressão regulatória.

O Programa Nacional de Estradas Rurais (PRONER) executou 7.365 km entre 2023 a 1ª de março de 2026, atendendo 592 municípios, com R$ 893,7 milhões investidos. De outra lado, O PROMAQ entregou 8.421 máquinas (tratores e retroescavadeiras) no mesmo período, com investimento de 837 milhões.

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Estradas vicinais são o gargalo mais antigo do escoamento da produção no interior de Mato Grosso. Cada quilômetro recuperado ou construído reduz o custo do frete e a perda de safra no transporte.

Foram implementados o Certificado Sanitário Nacional (CSN), o Certificado Eletrônico Fitossanitário (ePhyto) e o SIF Simplificado. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi reestruturado, com instalação de novas estações automáticas e modernização de equipamentos. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos e a ampliação do SISBI-POA fortalecem a rastreabilidade da pecuária.

Em 2023, a agropecuária cresceu 15%, sendo o setor que mais contribuiu para o PIB. Em 2025, o crescimento foi de 11,7%, com produção recorde superior a 1,3 bilhão de toneladas. As exportações do agronegócio atingiram superávit de US$ 98,9 bilhões em 2023 e US$ 74,6 bilhões em 2024.

A democracia exige do cidadão uma capacidade que não é simples: distinguir a atuação individual de um gestor do projeto político mais amplo ao qual ele está vinculado. Rejeitar automaticamente tudo que um governo produz porque se discorda de sua orientação ideológica é tão impreciso quanto aceitar tudo sem crítica.

Fávaro serviu a um governo de esquerda, e isso é fato, mas os 555 mercados abertos não têm cor partidária, o reconhecimento internacional de país livre de aftosa não é de esquerda nem de direita, o crédito rural de R$ 1,5 trilhão chega ao produtor independentemente de sua preferência eleitoral, e as estradas vicinais recuperadas servem tanto ao eleitor de Lula quanto ao de Bolsonaro.

O mato-grossense que avalia Fávaro tem o direito de considerar que ele errou ao compor um governo com o qual não se identifica, mas tem também o dever, como cidadão informado, de reconhecer o que foi feito com os recursos públicos que lhe foram confiados.

A pergunta que se impõe não é “a qual governo Fávaro serviu?”, mas sim: “o agro de Mato Grosso está melhor ou pior depois de três anos de sua gestão?” Os dados apresentados nesta matéria indicam uma direção. O leitor tem autonomia para concluir.

ALESSANDRO TARCÍSIO ALMEIDA DA SILVA – advogado, ex-defensor público, e ex-membro da comissão de Cooperativas de Crédito do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil.

Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (gov.br), Compre Rural, Rádio Itatiaia, CNN Brasil, Gazeta do Povo. Dados referentes ao período janeiro de 2023 a março de 2026.

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